A expansão do acesso à internet entre pessoas com 60 anos ou mais tem facilitado o acesso a informações, serviços públicos, bancos, comunicação com familiares e novas ferramentas tecnológicas. Ao mesmo tempo, o crescimento da presença desse público no ambiente digital também aumenta a exposição a golpes, fraudes e dificuldades relacionadas ao uso seguro da tecnologia.
Para enfrentar esse cenário e ampliar a autonomia da população idosa, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e a Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Amazonas (Ejud) firmaram uma parceria voltada à promoção da cidadania digital e à proteção dos direitos das pessoas idosas.
A reunião que tratou da cooperação ocorreu nesta quarta-feira (12), na sala do Conselho Superior da sede administrativa da DPE-AM, na avenida André Araújo, bairro Aleixo, em Manaus. Durante o encontro, o coordenador do Núcleo de Atendimento, Proteção e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa (Nuappi), defensor público Marcelo Pinheiro, apresentou o projeto “Defensor Digital 60+”, iniciativa que busca orientar o público idoso sobre o uso seguro da internet e a prevenção contra golpes virtuais.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais utilizaram a internet. Em 2024, esse percentual era de 70,1%. Desde 2019, o crescimento chegou a 29,6 pontos percentuais, demonstrando a rápida inserção da população idosa no ambiente digital.
Esse avanço, entretanto, exige também ações de orientação. Muitos serviços que antes eram realizados presencialmente passaram a depender de plataformas digitais, aplicativos e sites. Entre eles estão serviços relacionados ao governo federal, como o Gov.br e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de operações bancárias, agendamentos, consultas e acesso a documentos.
Prevenção contra golpes digitais
A proposta do “Defensor Digital 60+” é justamente aproximar esse público das ferramentas tecnológicas sem deixar de lado os cuidados necessários para evitar fraudes.
Entre as situações que podem ser abordadas estão mensagens falsas enviadas por aplicativos, links suspeitos, perfis falsos, golpes bancários, falsas ofertas de empréstimos, fraudes envolvendo benefícios previdenciários e tentativas de obter senhas, códigos de acesso ou dados pessoais.
A orientação também é importante porque muitos golpes utilizam informações e situações do cotidiano das vítimas para criar abordagens aparentemente legítimas. Por isso, além de ensinar o funcionamento de determinadas ferramentas, o projeto pretende desenvolver nos participantes a capacidade de identificar situações suspeitas e saber onde buscar ajuda.
Inclusão digital além do centro de Manaus
Com a parceria entre a Defensoria Pública e a Escola Judicial, a expectativa é ampliar o alcance das ações para regiões que nem sempre conseguem ter acesso às iniciativas realizadas na área central da capital.
“A proposta é levar essa atuação, agora em parceria também com a Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Amazonas, para zonas periféricas da cidade de Manaus e municípios do interior do Amazonas”, explicou Marcelo Pinheiro.
A interiorização das atividades ganha importância no Amazonas devido às características geográficas do Estado, que possui municípios distantes da capital e comunidades cujo acesso a serviços públicos e atividades presenciais de orientação pode ser mais limitado.
A iniciativa pretende, portanto, levar conhecimento diretamente às comunidades, começando por orientações básicas sobre o funcionamento dos smartphones e avançando para o uso de ferramentas e serviços disponíveis na internet.
Autonomia para a população 60+
Mais do que ensinar a utilizar aplicativos ou acessar páginas na internet, a proposta busca fortalecer a autonomia da pessoa idosa.
A ideia é que o cidadão consiga, por exemplo, acessar um serviço público, consultar informações no Gov.br, utilizar ferramentas do INSS, reconhecer uma mensagem suspeita ou identificar uma tentativa de golpe sem precisar depender integralmente de outra pessoa.
Essa autonomia também contribui para reduzir situações de vulnerabilidade, principalmente quando familiares ou terceiros passam a ter acesso às senhas, dados pessoais e informações financeiras da pessoa idosa para ajudá-la a realizar tarefas digitais.
“Com essa nova parceria, possamos aperfeiçoar e atender um maior número de pessoas 60+, para que elas sejam incluídas nesse universo digital com dignidade”, destacou Marcelo Pinheiro.
Inteligência Artificial também entra na orientação
O projeto também considera as novas tecnologias que passaram a fazer parte do cotidiano, incluindo ferramentas de Inteligência Artificial (IA).
A tecnologia pode ser utilizada para facilitar tarefas, buscar informações e auxiliar na comunicação, mas também exige atenção. Conteúdos falsos, imagens manipuladas, mensagens produzidas artificialmente e tentativas de enganar usuários podem dificultar a identificação de uma fraude.
Por isso, a educação digital passa a envolver não apenas o aprendizado sobre celulares e aplicativos, mas também a capacidade de avaliar informações recebidas pela internet e verificar sua origem antes de compartilhar dados ou realizar qualquer procedimento.
Educação em direitos
O “Defensor Digital 60+” integra as ações do Núcleo de Atendimento, Proteção e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa (Nuappi) e tem como um dos objetivos fortalecer a educação em direitos no ambiente digital.
A proposta combina inclusão, prevenção e proteção, levando conhecimento para que a população idosa possa utilizar a tecnologia com maior segurança e confiança.
Com a cooperação entre a DPE-AM e a Ejud, a expectativa é ampliar as ações para um número maior de pessoas com 60 anos ou mais, alcançando tanto comunidades periféricas de Manaus quanto municípios do interior.
A iniciativa também reforça a necessidade de acompanhar as transformações provocadas pela digitalização dos serviços. À medida que bancos, órgãos públicos e empresas ampliam o atendimento pela internet, garantir que a população idosa saiba utilizar essas ferramentas de maneira segura passa a ser também uma questão de cidadania e acesso a direitos.
Com informações do DPE-AM*
Por Leidy Amaral, da redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Divulgação/Internet






