Passageiro indisciplinado poderá pagar multa de até R$ 17,5 mil e ficar um ano sem voar

Novas regras da Anac entram em vigor em 14 de setembro e estabelecem sanções para casos graves de indisciplina em aeroportos e aeronaves. Brasil registrou 881 ocorrências no primeiro semestre de 2026.

Passageiros envolvidos em casos graves ou gravíssimos de indisciplina no transporte aéreo poderão receber multa de até R$ 17,5 mil e ficar proibidos de embarcar em voos domésticos por até um ano. As medidas fazem parte da Resolução 800/2026, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que entra em vigor em 14 de setembro.

As novas regras estabelecem procedimentos para situações que possam comprometer a segurança de passageiros, tripulantes, funcionários, aeronaves e operações aeroportuárias. A norma foi aprovada pela Anac em março deste ano.

Para divulgar as mudanças, o Ministério de Portos e Aeroportos, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a Anac e a ABR Aeroportos do Brasil participam da campanha “Parece exagero. É segurança”.

Brasil registrou 881 casos em seis meses

Entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 881 casos de indisciplina no transporte aéreo brasileiro. Desse total, 154 foram classificados na categoria 3 da Resolução 800, que reúne ocorrências capazes de comprometer a segurança operacional.

Na comparação com o mesmo período de 2025, os casos enquadrados nessa categoria aumentaram 22%.

Dados da Abear também apontam crescimento das ocorrências nos últimos anos. Em 2025, foram contabilizados 1.764 episódios, média de quase cinco por dia. Em 2024, foram 1.061 registros, o que representa aumento de 66% de um ano para o outro.

Quais comportamentos podem resultar em punição?

A regulamentação prevê sanções para diferentes tipos de comportamento dentro das aeronaves e nos aeroportos. Entre as condutas previstas estão:

  • descumprir instruções de segurança da tripulação;
  • ameaçar, intimidar ou agredir passageiros, tripulantes ou funcionários;
  • fumar dentro da aeronave;
  • praticar importunação sexual;
  • realizar falsa ameaça de bomba;
  • tentar acessar a cabine de comando.

Nos casos considerados graves ou gravíssimos, as consequências podem chegar à multa de R$ 17,5 mil e à proibição de embarque em voos domésticos por até 12 meses.

Passageiro poderá ser retirado da aeronave

A Resolução 800 determina que empresas aéreas e operadores aeroportuários adotem medidas progressivas conforme a gravidade de cada ocorrência.

Os procedimentos incluem orientação formal sobre as regras de segurança, advertência, contenção quando necessária, acionamento da autoridade policial e retirada do passageiro da aeronave. Também poderá ser solicitada reparação por eventuais danos provocados durante a ocorrência.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a regulamentação busca estabelecer limites para comportamentos que possam afetar a segurança da operação.

“Essa medida é importante para proteger a segurança do voo, a tripulação e todos os passageiros. Comportamentos indisciplinados, que são minoria, não podem colocar em risco a operação nem prejudicar o ambiente de respeito, tranquilidade e segurança que deve existir a bordo”, afirmou.

Punição terá direito a recurso

As sanções não serão aplicadas automaticamente. A regulamentação determina a abertura de processo com direito ao contraditório e à ampla defesa.

O passageiro deverá ser informado sobre a acusação, a penalidade prevista, o valor da multa ou o período da restrição, além dos canais e prazos disponíveis para apresentar recurso.

As empresas e demais operadores do setor aéreo deverão manter os registros das ocorrências por até cinco anos.

Campanha será divulgada em aeroportos

A campanha “Parece exagero. É segurança” será veiculada em aeroportos, meios de comunicação, plataformas digitais e redes sociais.

O objetivo é informar os passageiros sobre as normas de convivência e as consequências previstas para atos de indisciplina.

As regras e orientações podem ser consultadas no site oficial da campanha “Parece exagero. É segurança”.

 

 

 

Foto: Reprodução/Internet

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.