A cada 5 minutos, uma criança sofre violência sexual no Brasil; ações reforçam combate ao crime

Brasília reúne autoridades, especialistas e movimentos sociais em congresso nacional sobre proteção da infância, enquanto campanhas se espalham pelo país, incluindo Manaus

Brasília se tornou nesta semana o centro de uma das maiores mobilizações nacionais de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. Entre esta segunda-feira, 18, e quinta-feira, 21, a capital federal sedia o III Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, evento que integra a campanha nacional “Faça Bonito” e reúne representantes do poder público, sistema de justiça, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

A mobilização ocorre em meio a um cenário de alerta no país. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) apontam que, apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o Disque 100 registrou mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes — aumento de quase 50% em relação ao mesmo período do ano passado. A média equivale a um caso a cada cinco minutos.

O congresso debate estratégias de prevenção, proteção integral e fortalecimento da rede de garantia de direitos. Durante a programação, o governo federal anunciou medidas voltadas ao enfrentamento da violência sexual infantil, incluindo ações de proteção em ambientes digitais, capacitação de profissionais e atualização de políticas públicas.

Entre as iniciativas apresentadas estão novos cursos para conselheiros tutelares, profissionais da assistência social e integrantes do sistema de justiça, além da criação de ferramentas pedagógicas e tecnológicas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na internet. A secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Pilar Lacerda, afirmou que o avanço tecnológico ampliou os desafios no enfrentamento à violência sexual infantil.

“Proteger a infância hoje exige uma presença ativa do Estado também no ambiente digital”, destacou.

A programação também inclui debates sobre gravidez infantil forçada, segurança digital, participação juvenil e fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes.

O 18 de Maio marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, criado em memória de Araceli Cabrera Crespo, assassinada aos oito anos em um crime que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual infantil no Brasil.

Segundo especialistas, a maior parte das violações ocorre dentro do ambiente familiar. Dados do MDHC mostram que 77% dos casos registrados em 2026 aconteceram na residência da vítima, do suspeito ou de familiares. O coordenador da ONG Meninadança, Warlei Torezani, afirma que um dos maiores desafios é romper o silêncio e acreditar nos relatos das vítimas.

“Muitas vezes, a violência acontece em espaços onde a criança se sente segura. O agressor nem sempre corresponde ao perfil que as pessoas imaginam”, alertou.

Em Manaus, o Maio Laranja também foi marcado por manifestações, campanhas educativas e ações de conscientização voltadas ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. A vereadora Yomara Lins destacou a importância do fortalecimento das políticas públicas de proteção à infância e adolescência na capital amazonense.

“Precisamos unir forças para proteger nossas crianças e adolescentes. O silêncio não pode prevalecer diante de qualquer tipo de violência”, afirmou.

A parlamentar também reforçou a importância das denúncias por meio do Disque 100, canal nacional gratuito e anônimo para registro de casos de violência contra crianças e adolescentes.

Com Informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Agência Gov e Câmara Municipal de Manaus

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus