A “escola finlandesa” da medicina esportiva: o país que virou destino de recuperação das maiores estrelas do esporte

Lasse Lempainen e Sakari Orava são apontados como pilares da cirurgia esportiva moderna

Nos últimos anos, a Finlândia se tornou referência mundial quando o assunto é cirurgia esportiva. O país europeu abriga dois dos nomes mais respeitados da medicina ortopédica: Lasse Lempainen e o já aposentado Sakari Orava, responsáveis por tratar e recuperar grandes estrelas do futebol e de outras modalidades.

Entre os casos mais recentes está o do zagueiro brasileiro Éder Militão, do Real Madrid. O defensor sofreu uma ruptura no tendão proximal do músculo bíceps femoral da perna esquerda no dia 21 de abril, lesão que comprometeu sua preparação e praticamente o tirou da Copa do Mundo.

Na última terça-feira (28), Militão passou por cirurgia na Finlândia, realizada por Lasse Lempainen, com acompanhamento do clube espanhol. O procedimento foi considerado bem-sucedido, mas a previsão de retorno aos gramados é apenas para outubro, o que confirma sua ausência no Mundial.

“Eu continuo jogando não apenas para esta geração, mas também para a anterior e a que está por vir. Eu aprecio isso dia após dia, jogo após jogo, ano após ano. Até porque me aproximo do fim da minha carreira. Isso é um fato”, disse Cristiano Ronaldo, em entrevista ao canal Goat.

A trajetória de Lempainen se conecta diretamente ao legado de Sakari Orava, seu mentor e um dos maiores nomes da história da medicina esportiva. Orava, que se aposentou em 2020, é considerado uma das maiores referências do mundo, tendo realizado mais de 25 mil atendimentos ao longo da carreira.

“Dr. House”, como ficou conhecido entre pacientes, construiu uma reputação global atendendo atletas de elite e trabalhando com clubes como Real Madrid, Barcelona, Milan, Chelsea e Juventus. Também foi médico das equipes olímpicas da Finlândia entre 1988 e 2000.

Entre os atletas operados por Orava estão nomes como David Beckham, Marco van Basten, Didier Deschamps, Andrea Barzagli e Jonathan Woodgate. O médico também foi responsável por casos emblemáticos que marcaram o futebol mundial.

Um dos episódios mais conhecidos envolve David Beckham. O ex-jogador rompeu o tendão de Aquiles meses antes da Copa do Mundo de 2010, quando atuava pelo Milan. A cirurgia foi decisiva para sua recuperação, embora ele não tenha conseguido disputar o Mundial. O inglês voltou aos gramados cerca de seis meses depois e ainda atuou por clubes como o Paris Saint-Germain antes de encerrar a carreira em 2013.

Outro caso de grande repercussão foi o de Pep Guardiola, operado por Orava em 1997/1998. Em entrevista ao jornal Marca, o cirurgião relembrou o momento com o então jogador do Barcelona:

— Eu lembro do Guardiola muito concentrado e preocupado. Ele me perguntou se poderia jogar futebol de novo e, quando eu disse que poderia, dava pra ver nos olhos dele que aquelas palavras eram uma das coisas mais importantes que ele tinha escutado na vida.

A relação entre Orava e Lempainen começou em 2001, quando o atual especialista em cirurgias de posterior de coxa iniciou sua formação sob orientação do veterano. Os dois trabalharam juntos até 2020, quando Orava se aposentou.

Lempainen, hoje com 47 anos, é PhD em recuperação de lesões musculares e já tratou atletas como Marc-André ter Stegen, Reece James e Ousmane Dembélé. O atacante francês, inclusive, viveu um dos casos mais marcantes de sua carreira.

Em 2021, ainda pelo Barcelona, Dembélé sofreu uma lesão grave no joelho que o tirou da Eurocopa. Após cirurgia com Lempainen, o tempo de recuperação foi menor do que o esperado e o jogador voltou aos gramados sem novas complicações no local.

O legado de Orava, por sua vez, é frequentemente lembrado na Finlândia como símbolo da medicina esportiva. Segundo o portal “This is Finland”, o médico chegou a ser apelidado de “Dr. House” pela precisão de seus diagnósticos e pela confiança dos atletas.

— Eles me disseram: se você fosse um americano e tivesse inventado todas essas coisas [na América], você seria um homem famoso e rico, mas não nos importamos com isso — disse Orava em uma de suas declarações.

E completou ao refletir sobre sua carreira: — As pessoas normalmente ligam para a clínica e dizem: tentei obter ajuda no meu próprio país, mas ninguém quer me operar. Posso ir para a Finlândia?

A combinação entre ciência, precisão e resultados transformou a Finlândia em um dos principais destinos do esporte mundial quando o assunto é recuperação de lesões graves, consolidando o país como referência para clubes e atletas de elite.

 

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Reprodução / Redes Sociais