Além da Zona Franca: Manaus quer transformar aeroporto em porta de entrada da logística internacional

Durante a TranspoAmazônia 2026, terminal de cargas apresentou estratégia que combina tecnologia, novos voos e ganhos operacionais para ampliar a participação de Manaus no mercado logístico internacional

O crescimento da movimentação de cargas e a ampliação das conexões aéreas estão colocando Manaus em uma nova rota de desenvolvimento econômico. Além da força industrial da Zona Franca, a capital amazonense busca consolidar seu papel como centro estratégico para distribuição de mercadorias no Brasil e na América Latina, tendo o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes como um dos principais pilares dessa estratégia.

O plano foi apresentado durante a TranspoAmazônia 2026, considerada a maior feira de transporte e logística da Região Norte, realizada na semana passada no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus.

Desde que assumiu a operação do aeroporto, em 2022, a concessionária responsável pela administração do terminal intensificou investimentos voltados à modernização do Terminal de Cargas (TECA), com foco na ampliação da capacidade operacional, melhoria dos processos e diversificação dos serviços oferecidos às empresas.

Entre as mudanças implementadas estão a renovação de equipamentos, a revisão dos procedimentos de liberação de mercadorias, o reforço dos protocolos de segurança e a ampliação dos serviços voltados à cadeia produtiva da Zona Franca de Manaus e ao crescimento do comércio eletrônico.

Segundo dados apresentados pela concessionária, as medidas contribuíram para um aumento de 23,8% na eficiência operacional do terminal e para a redução do tempo médio de liberação das cargas. Outra novidade foi a implantação do serviço de atendimento prioritário para mercadorias emergenciais, conhecido como “quick service”.

Tecnologia para reduzir tempo e aumentar previsibilidade

Após uma primeira etapa de investimentos concentrada em infraestrutura e segurança operacional, o foco agora passa a ser a produtividade e a previsibilidade logística.

Uma das iniciativas em andamento é a implantação de um novo sistema de gestão de armazenagem, que permitirá aos clientes acompanhar em tempo real a localização e a movimentação das cargas por meio de uma plataforma digital.

A gerente-geral do TECA, Luciana Procoro, destaca que a previsibilidade passou a ser um diferencial competitivo para empresas que dependem de cadeias de suprimentos cada vez mais rápidas.

“Hoje, tempo é um ativo. A indústria de Manaus trabalha com cadeias de suprimento extremamente sensíveis e, muitas vezes, a carga chega diretamente à linha de produção. Quanto maior a rastreabilidade e a previsibilidade, maior o valor agregado para o cliente”, afirmou.

Mais voos fortalecem estratégia internacional

O avanço da estrutura logística ocorre em paralelo à expansão das conexões aéreas de carga.

Em 2025, a Braspress passou a operar regularmente no terminal de Manaus, ampliando a oferta de transporte doméstico. Além disso, companhias aéreas aumentaram frequências e capacidade operacional em rotas consideradas estratégicas para o escoamento da produção local.

Um dos destaques foi a implantação da ligação direta entre Manaus e Fortaleza. A nova rota reduziu o tempo de transporte para o Nordeste, eliminando a necessidade de conexões intermediárias em parte das operações.

No mercado internacional, a movimentação também ganhou reforço. A cargueira Atlas transformou em operação regular uma rota que anteriormente funcionava de forma sazonal, elevando para quatro as frequências semanais entre Miami, nos Estados Unidos, e Manaus.

A ampliação fortalece o papel da capital amazonense como ponto de entrada e saída de mercadorias para o Brasil e outros mercados da América Latina.

“O que queremos é transformar Manaus em um hub para a América Latina. A localização geográfica da cidade, somada à força industrial da Zona Franca e aos investimentos em conectividade, cria condições para que ela assuma um papel cada vez mais relevante nas cadeias globais de suprimentos”, destacou Luciana Procoro.

Terminal movimenta cerca de 140 mil toneladas por ano

Operando 24 horas por dia, o Terminal de Cargas de Manaus atende operações de importação, exportação e distribuição para o mercado nacional. Atualmente, cerca de 140 mil toneladas de mercadorias passam anualmente pelo complexo logístico, responsável por conectar a produção da Zona Franca a diferentes regiões do Brasil e do exterior.

O terminal também recebeu homologação para iniciar operações de Courier, modalidade utilizada em remessas expressas internacionais. A expectativa é ampliar as opções logísticas disponíveis na região e facilitar o crescimento do comércio eletrônico com origem ou destino na Amazônia.

Com a expansão das rotas, investimentos em tecnologia e modernização da infraestrutura, Manaus busca ampliar sua participação no mercado logístico internacional e fortalecer sua posição estratégica nas cadeias globais de suprimentos.

 

Com Informações da Três Comunicação e Marketing

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus