Amazonas deve ter menos chuva e temperaturas acima da média em julho, prevê Inmet

Previsão indica redução das chuvas, calor acima do esperado e aumento do risco de focos de calor durante o mês no estado

 

O Amazonas deve registrar chuvas abaixo da média e temperaturas acima do esperado durante o mês de julho, segundo previsão divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O cenário ocorre em meio à consolidação do fenômeno El Niño e aumenta o risco de focos de calor no estado.

De acordo com o Inmet, a temperatura média deve ficar pelo menos 1°C acima do esperado para o período. A combinação entre redução das chuvas e calor favorece a diminuição da umidade e do armazenamento de água no solo, o que pode afetar culturas agrícolas, pastagens e sistemas produtivos que dependem das precipitações.

Segundo o instituto, essas condições também aumentam o risco de ocorrência de focos de calor.

El Niño influencia o clima na Amazônia

O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e influencia os padrões de chuva, temperatura e vento em diferentes regiões do planeta.

Em entrevista ao g1, a meteorologista Andrea Ramos informou que as projeções do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam a continuidade de um período mais seco nos próximos meses.

Segundo a especialista, a combinação entre baixa umidade do ar e temperaturas elevadas reduz a disponibilidade de água no solo e cria condições favoráveis para a propagação de incêndios florestais.

“Essa combinação acelera a perda de umidade do solo, reduz o armazenamento de água disponível para a vegetação e cria condições mais favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais. É importante destacar que o fogo depende de uma fonte de ignição, mas as condições meteorológicas tornam sua propagação muito mais rápida e intensa”, explicou.

Andrea Ramos também destacou que a diminuição das chuvas nesta época do ano está relacionada à menor disponibilidade de umidade na atmosfera.

“Com menor disponibilidade de umidade, a formação de nuvens e de precipitação torna-se menos frequente, enquanto a maior incidência de radiação solar favorece a elevação das temperaturas”, afirmou.

Previsão para o segundo semestre

Segundo o Inmet, os modelos climáticos indicam probabilidade superior a 90% de permanência do El Niño até o início de 2027.

O instituto também aponta alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre a primavera e o verão de 2026, quando as anomalias da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial poderão ultrapassar 2°C.

Para o trimestre entre julho e setembro, a previsão indica chuvas abaixo da média no centro-norte do país, incluindo a Amazônia, e temperaturas acima da média durante o segundo semestre.

De acordo com o Inmet, essas condições aumentam a possibilidade de ocorrência de ondas de calor e incêndios florestais na região.

Amazonas enfrentou seca histórica em 2024

O cenário previsto para este ano ocorre após o Amazonas registrar, em 2024, o maior número de focos de calor desde o início da série histórica, em 1998.

Entre 1º de janeiro e 23 de setembro daquele ano, foram contabilizados 21.612 focos de calor, segundo dados oficiais. A fumaça das queimadas atingiu os 62 municípios do estado.

Também em 2024, todos os municípios amazonenses decretaram situação de emergência em razão da estiagem e das queimadas. Em setembro, mais de 460 mil pessoas eram afetadas pela seca, conforme dados do Governo do Amazonas.


Com informações do G1 AM*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus