O Brasil pode ampliar suas reservas provadas de petróleo dos atuais 17 bilhões para 23,5 bilhões de barris na próxima década, segundo projeção apresentada pela Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro).
Os dados fazem parte do Caderno Abespetro 2026, lançado nesta quinta-feira durante evento no Rio de Janeiro.
Segundo a entidade, o avanço depende do aumento da recuperação de reservatórios já em operação e da ampliação dos investimentos em novas fronteiras de exploração, como a Margem Equatorial, entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte, e a Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul.
A Abespetro estima que serão necessários investimentos de pelo menos US$ 30,6 bilhões por ano para que o país alcance o novo patamar de reservas.
A entidade informou ainda que o Brasil não realizou perfuração de poços em áreas consideradas de nova fronteira entre 2018 e 2024. No mesmo período, a Noruega perfurou 32 poços em novas áreas exploratórias. Já Guiana e Suriname somaram 62 poços, enquanto as regiões sul e oeste da África registraram 28 perfurações.
Segundo o presidente-executivo da Abespetro, Telmo Ghiorzi, a demora nos processos de autorização pode comprometer a produção futura de petróleo no país.
De acordo com o executivo, o primeiro bloco da Bacia da Foz do Amazonas levou cerca de 22 anos entre a licitação da área, em 2003, e a obtenção do licenciamento ambiental, em 2025.
Ghiorzi afirmou que, sem novas perfurações, o Brasil pode voltar a importar petróleo entre 10 e 15 anos.
Com base nas reservas atuais de 17 bilhões de barris e em uma produção de 5 milhões de barris por dia, a projeção da entidade é de que as reservas garantam produção até aproximadamente 2035. Caso as reservas adicionais sejam confirmadas, o horizonte poderá ser ampliado até 2042.
A Abespetro também defende maior recuperação dos campos já em produção e ampliação da participação de empresas privadas no setor. Ghiorzi citou os campos maduros e afirmou que a Petrobras poderia ampliar espaço para atuação de empresas independentes.
O executivo também criticou pontos regulatórios, como a tributação sobre exportação de petróleo, e defendeu mudanças nas regras de conteúdo local. Segundo ele, projetos em tramitação no Congresso Nacional podem alterar o modelo de punição aplicado ao descumprimento de metas do setor.
Dados apresentados pela entidade apontam que a Petrobras concentra 90,7% da operação de campos offshore no Brasil. Em comparação, a ExxonMobil possui participação de 82,5% em operações na América do Sul, excluindo o Brasil. Já a Equinor tem 56% no Mar do Norte, a TotalEnergies registra 30,3% no oeste da África e a Pemex possui 33,8% no Golfo do México.
A Abespetro também informou que o setor encerrou o ano passado com cerca de 700 mil empregos diretos e indiretos, retomando o nível registrado em 2010.
Segundo a entidade, o mercado perdeu força após os impactos da Operação Lava Jato e da queda no preço internacional do petróleo, que reduziram investimentos no segmento.
Ghiorzi afirmou que o setor voltou a apresentar crescimento nos últimos anos, mas destacou a necessidade de manutenção dos leilões de novas áreas de exploração. Segundo ele, o segmento representa cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O executivo também comentou os efeitos da guerra envolvendo o Irã sobre o mercado internacional. Segundo ele, a alta recente do petróleo acima de US$ 100 por barril ainda precisa ser analisada com cautela devido à volatilidade do mercado.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






