O novo Centro de Diagnóstico e Estadiamento do Câncer, que será implantado no Hospital Delphina Aziz, foi um dos principais temas da entrevista concedida pelo diretor-presidente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCECON), Gerson Mourão, ao programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Manaus.
Durante a conversa, Mourão destacou que o projeto faz parte de uma estratégia para fortalecer a prevenção, agilizar diagnósticos e garantir que os pacientes cheguem mais rapidamente ao tratamento especializado. Segundo ele, a iniciativa segue a mesma lógica adotada pelo Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero (CEPCOLU), que se tornou referência nacional no enfrentamento da doença.
“O CEPCOLU representa um dos maiores impactos em nível nacional quando se fala em prevenção do câncer do colo do útero. Trata-se de uma política pública com repercussão nacional, que coloca o Amazonas em evidência nesse enfrentamento”, afirmou.
De acordo com o presidente da FCECON, o principal objetivo do novo centro é demonstrar que o Sistema Único de Saúde (SUS) pode ser mais eficiente e sustentável quando há investimentos em prevenção e diagnóstico precoce.
“A resposta é direta e poderosa: a sustentabilidade do SUS. Prevenir custa muito menos do que tratar a doença em estágio avançado”, destacou.
Segundo Mourão, atualmente muitos pacientes chegam à FCECON já com a doença em estágio avançado, o que aumenta os custos dos tratamentos e reduz as chances de recuperação. O novo modelo busca justamente inverter essa lógica, permitindo que os casos sejam identificados mais cedo.
A estrutura será instalada no Hospital Delphina Aziz, escolhido por já possuir espaço físico, equipamentos, tecnologia e capacidade operacional para receber o projeto.
“O Delphina é um hospital gigantesco, com espaço suficiente para abrigar essa estrutura sem necessidade de deslocamentos externos”, explicou.
Apesar dos avanços nas discussões técnicas e da boa receptividade do projeto, Mourão afirmou que a implantação não deve ocorrer ainda em 2026. Segundo ele, trata-se de uma iniciativa estruturante que exige planejamento, maturação e adequação dos fluxos assistenciais.
O centro terá foco inicial nos cinco tipos de câncer que mais causam mortes e consomem recursos da rede pública de saúde no Amazonas: câncer do colo do útero, estômago, tireoide, pulmão e próstata.
O diretor-presidente destacou que alguns avanços importantes já foram alcançados nos últimos anos. Entre eles estão a organização do fluxo do câncer de pele, o fortalecimento das ações voltadas ao câncer do colo do útero e a redução do tempo de espera para atendimento de pacientes com câncer de mama, que caiu de cerca de 14 meses para aproximadamente quatro meses.
Pelo novo modelo, pacientes com suspeita de câncer serão encaminhados diretamente ao Centro de Diagnóstico e Estadiamento do Câncer. No local, serão realizados exames como biópsias, tomografias, ressonâncias e o estadiamento da doença, etapa que define a extensão do câncer no organismo.
Somente após a conclusão de todo esse processo o paciente será encaminhado para tratamento especializado na FCECON.
“O paciente chega com suspeita, resolve tudo ali dentro e sai com diagnóstico, estadiamento e encaminhamento correto. Tempo, nesse contexto, é vida”, ressaltou.
Segundo Mourão, a centralização dos serviços permitirá reduzir deslocamentos, evitar atrasos no diagnóstico, diminuir filas e aumentar a eficiência da assistência oncológica oferecida pelo Estado.
Durante a entrevista, o gestor também destacou ações voltadas aos pacientes do interior do Amazonas. Entre elas está um sistema de agendamento prévio por WhatsApp, que permite ao paciente chegar à capital já com consulta marcada, reduzindo o tempo de espera e facilitando o acesso aos serviços especializados.
Para Gerson Mourão, o novo Centro de Diagnóstico e Estadiamento do Câncer representa um avanço estratégico para a saúde pública do Amazonas, com potencial para salvar vidas, otimizar recursos e fortalecer a rede de atendimento oncológico em todo o estado.
Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.






