Crise no Estreito de Ormuz eleva custos e pressiona indústria no Brasil

Alta do petróleo, causada por tensões entre Irã, Israel e EUA, impacta logística, insumos e produção no Brasil

A escalada de tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos no Estreito de Ormuz já produz efeitos na economia brasileira. Estreito de Ormuz concentra entre 30% e 35% do fluxo mundial de petróleo. A restrição na circulação do produto eleva preços globais e pressiona cadeias produtivas.

Durante entrevista à Jovem Pan News Manaus, no programa Jornal da Manhã, Hilton Neto, empresário, consultor industrial afirmou que a limitação na circulação do petróleo pressiona preços internacionais e amplia custos ao longo das cadeias produtivas.

Com a instabilidade, o petróleo tipo Brent ultrapassou a marca de US$ 100 por barril e chegou a cerca de US$ 107, com alta próxima de 60% em relação a períodos anteriores. O movimento impacta diretamente custos industriais, transporte e preços de insumos.

O mundo não consegue compensar essa quantidade de petróleo caso haja uma interrupção no Estreito de Ormuz.
Isso gera um efeito direto na oferta global e pressiona preços.
Empresas e consumidores acabam sentindo esse impacto em cadeia.”

Impacto direto na indústria brasileira

A elevação do petróleo atinge a base de diversas cadeias produtivas. Derivados como plásticos, combustíveis e lubrificantes passam por reajustes, aumentando o custo de produção industrial.

O setor de plásticos aparece como um dos mais afetados. Insumos como polietileno e polipropileno são utilizados em produtos como eletroeletrônicos, motocicletas, embalagens e itens da construção civil. O aumento desses materiais pressiona margens e tende a ser repassado ao consumidor final.

O plástico está na base da cadeia produtiva e alimenta diversos setores industriais.
Qualquer aumento nesse insumo pressiona diretamente o custo de produção.
Isso acaba impactando toda a economia, do setor industrial ao consumidor final.”

Segundo o consultor, há casos de matérias-primas com aumento de até 60%. Empresas que não formaram estoques já enfrentam dificuldades para absorver os custos. O efeito se estende a toda a cadeia, incluindo alimentos, vestuário e agroindústria.

Amazonas sente efeito ampliado

No Amazonas, o impacto é mais intenso devido à dependência logística. O Polo Industrial de Manaus depende de transporte fluvial e rodoviário para recebimento de insumos e escoamento da produção.

A distância dos centros consumidores eleva custos estruturais. Com o aumento do combustível, o transporte se torna mais caro, ampliando o impacto sobre a indústria local.

A complexidade logística também afeta o abastecimento no interior do estado. Em períodos críticos, como a seca de 2023, operações exigiram estratégias específicas para distribuição de combustível em dezenas de municípios.

Pressão sobre energia e operação industrial

Além dos insumos, o aumento do petróleo afeta custos operacionais. Derivados como óleos lubrificantes e graxas, essenciais para manutenção de máquinas, também sofrem reajustes.

Esses custos não são repassados diretamente ao consumidor, o que reduz margens das empresas. O impacto varia conforme o tipo de operação, mas atinge diferentes setores industriais.

A matriz energética também é afetada. Parte da geração no Amazonas depende de combustíveis fósseis, o que amplia os efeitos da alta internacional.

Nem todos os impactos estão visíveis de imediato, como no caso dos lubrificantes e da manutenção.
Esses custos fazem parte da operação e não são repassados diretamente ao cliente.
Isso reduz a margem das empresas e pressiona ainda mais a produção.”

Inflação e efeito em cadeia

O aumento dos custos industriais tende a pressionar indicadores de preços. No setor da construção, insumos como PVC já registram alta superior a 5%, com reflexos em índices como o INCC-M.

A elevação se soma a outros fatores recentes, como pandemia e dificuldades logísticas, ampliando o custo geral de produção no país.

Efeitos devem continuar no médio prazo

Mesmo com eventual redução das tensões, os impactos não são imediatos. Segundo o consultor, o mercado pode levar entre 8 e 12 meses para estabilizar preços e cadeias produtivas.

A incerteza sobre a duração do conflito mantém o cenário indefinido.

Estratégias das empresas

Diante do cenário, a principal estratégia apontada é o aumento da eficiência operacional. A redução de desperdícios e o controle de processos são medidas adotadas para mitigar impactos no curto prazo.

Empresas também buscam ajustes logísticos e revisão de custos para manter a competitividade diante da alta de insumos e transporte.


Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus