Deolane Bezerra é presa em operação que investiga esquema de lavagem ligado ao PCC

Influenciadora e advogada foi detida durante operação do MP-SP e Polícia Civil que apura esquema de lavagem de dinheiro; Justiça bloqueou R$ 27 milhões

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação em diferentes estados e conexões internacionais.

Segundo os investigadores, a estrutura criminosa utilizava uma empresa de transportes para movimentar recursos ilícitos e ocultar a origem dos valores. A operação foi conduzida pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Presidente Prudente.

A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão. Entre os alvos estão integrantes apontados como ligados à cúpula do PCC, incluindo Marco Herbas Camacho, o Marcola, já preso em unidade federal, além de familiares e operadores financeiros da organização.

De acordo com a investigação, a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda, também identificada como “Lado a Lado Transportes”, teria sido utilizada para movimentação de valores superiores a R$ 20 milhões, com inconsistências entre os registros fiscais e as transações financeiras identificadas pelos investigadores. A Justiça já havia reconhecido, em decisão anterior, o uso da empresa como instrumento de lavagem de capitais.

Os investigadores afirmam que Deolane Bezerra aparece como destinatária de parte dos recursos movimentados dentro do esquema. A apuração indica que os repasses teriam ocorrido por meio de depósitos em espécie e transferências associadas à estrutura financeira ligada à transportadora.

Em nota técnica, a investigação aponta ainda que o sistema operava com divisão de funções entre integrantes da facção, familiares e intermediários responsáveis por repasses e gestão dos valores. Entre os nomes citados estão pessoas ligadas à família Camacho e um operador financeiro identificado como “Player”.

O inquérito também indica que parte das movimentações teria ocorrido de dentro do sistema prisional federal, com orientação de líderes da organização criminosa. Mensagens e materiais apreendidos em fases anteriores da investigação deram origem a três inquéritos desde 2019.

Segundo a Polícia Civil, a transportadora investigada teria movimentado recursos com uso de mecanismos de fracionamento de valores e ocultação de origem, prática conhecida como “smurfing”, além de incompatibilidade entre renda declarada e volume financeiro circulado.

A Justiça determinou bloqueio de valores, apreensão de bens e sequestro de patrimônio. As medidas incluem veículos de alto valor, imóveis e ativos financeiros que somam centenas de milhões de reais, segundo os autos da investigação. Também há pedidos de cooperação internacional envolvendo investigados localizados fora do Brasil.

A investigação cita ainda depósitos identificados em contas ligadas à influenciadora entre 2018 e 2021, além de movimentações atribuídas a empresas associadas ao seu nome. Os investigadores afirmam que não foram identificados registros de prestação de serviços que justifiquem parte dos valores analisados.

A Operação Vérnix segue em andamento, com análise de materiais apreendidos e cumprimento de novas medidas judiciais.


Com informações da Jovem Pan News*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus