A rotina de estudos intensos para tentar uma vaga em Medicina na federal do Amazonas ganhou um novo capítulo na vida da amazonense Mariana Carvalho. Aos 21 anos, a estudante de pré-vestibular foi selecionada para integrar o programa de voluntariado na Copa do Mundo, que acontecerá nos Canadá, Estados Unidos e México. A jovem atuará em Miami e será a única representante da Região Norte do Brasil aprovada no processo seletivo.
Como surgiu a oportunidade
A oportunidade surgiu de forma inesperada, em um momento simples do dia a dia. Depois de horas de estudo, Mariana decidiu descansar e navegar pelas redes sociais quando encontrou um vídeo falando sobre as inscrições para voluntários da Copa.
“Estava descansando após ter estudado. Tive um dia bem cansativo de estudos e fui olhar minhas redes sociais. Apareceu um vídeo de um gringo dizendo que estavam abertas as inscrições para ser voluntário da Copa do Mundo. Entrei no site e me inscrevi”, contou.
Apesar de ser sua primeira experiência em um evento da copa, ela já havia participado de outros voluntariados esportivos e afirma que sempre teve interesse por esse universo. Segundo Mariana, o domínio de idiomas acabou sendo um dos grandes diferenciais durante a seleção.
“Eu acredito que falar inglês, espanhol e português ajudou muito, principalmente porque escolhi Miami. Lá o espanhol é muito forte e os primeiros jogos têm muitos times latinos”, explicou.
Além dos idiomas, a estudante também destaca experiências anteriores com atendimento ao público, algo que considera importante para o perfil buscado pela organização.
Processo seletivo reuniu mais de um milhão de inscritos
O processo seletivo ocorreu em etapas e incluiu formulários, perguntas discursivas, situações simuladas e até um quiz sobre futebol. Mariana lembra que a espera pela resposta final foi marcada por ansiedade e emoção.
“Quando saiu o resultado, eu chorei de felicidade. Foram mais de um milhão de inscrições. Pra mim foi muito emocionante conseguir essa vaga representando o Brasil”, disse.
A jovem também afirma que carrega a responsabilidade de representar o Amazonas e a Região Norte em um evento acompanhado pelo mundo inteiro.
“Espero representar bem o Norte, falar da nossa cultura, da nossa culinária e fazer as pessoas terem vontade de conhecer a nossa região”, afirmou.
Ao todo, Mariana ficará cerca de 41 dias em Miami. Durante esse período, trabalhará em sete jogos e também em atividades realizadas dentro dos estádios nos dias sem partidas. Entre os confrontos confirmados na escala dela estão partidas do Uruguai, um jogo do Brasil contra a Escócia e uma semifinal.
Custos da viagem e campanha para arrecadação
Embora a organização da Copa ofereça alimentação nos dias de trabalho, seguro-saúde e suporte para o visto, despesas como hospedagem e transporte ficam por conta dos voluntários. Segundo Mariana, esse é o principal desafio financeiro da viagem.
“Miami é uma cidade muito grande, tudo é distante e o transporte acaba ficando caro porque é tudo em dólar. A hospedagem também pesa bastante”, explicou.
Além da experiência internacional, ela acredita que o voluntariado também terá impacto direto na formação pessoal e profissional que deseja construir na medicina.
“Uma das coisas que mais falam nos treinamentos é sobre empatia e diversidade. Acho que isso vai ser muito importante para mim como futura médica”, destacou.
A preparação para o evento já começou. Desde maio, os voluntários participam de treinamentos online com orientações específicas sobre as funções que irão desempenhar durante a competição.
Fã de futebol desde a infância, Mariana conta que a paixão pelo esporte veio da convivência com o avô. Hoje, seu time favorito é o FC Barcelona.
Programa de voluntariado da Copa do Mundo
O programa de voluntariado da Copa do Mundo contará com cerca de 65 mil voluntários distribuídos entre os três países-sede do torneio. O número representa um aumento significativo em relação à edição de 2022, realizada no Catar, e acompanha o crescimento da competição, que pela primeira vez terá 48 seleções participantes.
Com isso, o total de partidas sobe de 64 para 104 jogos, ampliando também a demanda por colaboradores. Os voluntários atuarão em 23 áreas funcionais diferentes, desempenhando tarefas ligadas à organização, logística, atendimento ao público e suporte dentro e fora dos estádios.








