EXCLUSIVA: Ferramentas digitais e IA estão redefinindo a experiência de trabalho e acelerando mudanças no mercado, diz especialista

Especialista aponta que inteligência artificial e ferramentas digitais já reduzem tarefas repetitivas, exigem novas habilidades e redefinem a forma de trabalhar nas empresas

A incorporação de ferramentas digitais e da inteligência artificial no ambiente de trabalho já provoca mudanças estruturais na forma como empresas organizam suas rotinas e como profissionais executam suas funções. O impacto vai além da automação de tarefas repetitivas e alcança diretamente a tomada de decisão, a produtividade e a exigência por novas competências. Em meio a esse cenário de transição acelerada, especialistas apontam que a adaptação tecnológica deixou de ser uma opção e passou a ser um fator determinante de competitividade no mercado.

Em entrevista ao programa Minuto a Minuto, da Jovem Pan News Manaus, o professor da FGV, Thiago Muniz, também CEO da B2B Stack e da Receita Previsível, detalhou como essa transformação está ocorrendo e quais desafios acompanham esse processo.

Logo no início da conversa, ao ser questionado sobre o papel das tecnologias na rotina de trabalho, Muniz destacou que a mudança já está em curso e em ritmo acelerado.

A gente percebe que estão mudando o dia a dia das pessoas. Cerca de 50% das tarefas repetitivas das empresas já estão em um processo de mudança para serem substituídas pela IA. Isso vai fazer com que o colaborador tenha mais tempo para tomar decisões”, afirmou.

Segundo ele, a principal transformação não está apenas na automação em si, mas na mudança de foco do trabalho humano.

Se eu não tenho que juntar planilhas, pensar, ter várias discussões para tomar uma decisão, eu consigo ler dados muito rápido. Eu consigo parar e, teoricamente, decidir com mais tempo”, explicou.

IA muda a lógica do trabalho e exige nova postura profissional

Muniz destaca que o impacto da inteligência artificial não é apenas operacional, mas também cultural dentro das empresas. Ele chama atenção para um risco comum: a dependência excessiva da tecnologia na tomada de decisões.

Cerca de 50% a 60% dos executivos no mundo têm passado por um problema que é terceirizar para a IA a responsabilidade. A IA ajuda na decisão, mas depois a pessoa diz: ‘estou fazendo desse jeito porque foi a IA que falou”, alertou.

Para ele, o desafio das organizações será equilibrar o uso da tecnologia com responsabilidade humana.

Tem muita coisa boa, tem tecnologia para funcionar, mas também tem o grande desafio de como evitar ficar refém da tecnologia e usar ela para ser exponencial no trabalho”, completou.

Escolha de ferramentas e excesso tecnológico

Outro ponto levantado pelo especialista é a dificuldade das empresas em escolher e aplicar corretamente as ferramentas digitais.

O brasileiro ainda não sabe escolher tecnologia. O grande desafio do empreendedor é entender quais soluções vai utilizar”, disse.

Ele observa que, muitas vezes, o excesso de ferramentas sem estratégia gera confusão interna.

Quando você vê, virou um baralhão: não sabe mais para onde ir. A tecnologia avançou muito rápido, mas ainda estamos aprendendo a escolher as ferramentas do dia a dia”, avaliou.

Copilotos de IA e a lacuna entre tecnologia e uso real

Muniz também chamou atenção para um fenômeno crescente dentro das empresas: a subutilização de ferramentas já contratadas.

Existem estudos que mostram que os copilotos de IA não necessariamente têm sido usados. O problema não é só na pequena e média empresa, na grande também existe isso”, explicou.

Para ele, o desafio das organizações agora é mais educacional do que tecnológico.

O que estão fazendo para corrigir isso é literalmente um processo de letramento em inteligência artificial, para que as pessoas entendam os recursos que têm e saibam quando usar cada coisa”, destacou.

Pequenas empresas, grandes mudanças e adaptação gradual

Ao tratar das pequenas e médias empresas, o especialista reforça que o caminho não é adotar todas as ferramentas possíveis, mas selecionar com inteligência.

Em vez de ter um monte de ferramentas, você vai contratar duas ou três que vão te ajudar mais e vai escolher quais processos quer melhorar com IA”, afirmou.

E complementa:

Algumas tarefas vão ser substituídas, mas outras vão surgir. A IA vai ajudar a fazer isso funcionar melhor”.

Educação, repertório e o futuro do trabalhador

Para Muniz, o futuro do trabalho está diretamente ligado à educação contínua e ao desenvolvimento de novas habilidades.

Hoje as pessoas estão confundindo consumir informação com aprender. Não é mais sobre o que fazer, e sim sobre saber como fazer”, disse.

Ele também alerta para a queda de atenção e o excesso de informação.

A atenção humana caiu para menos do que a de um peixe dourado. São cerca de 7 segundos de atenção. Isso mostra o excesso de informação que a gente não transforma em aprendizado”, afirmou.

Criatividade, emoção e decisão como habilidades-chave

O especialista defende que as habilidades humanas mais valiosas no futuro serão aquelas menos automatizáveis.

O grande desafio é construir relacionamentos, estimular habilidades criativas e ter ressonância emocional”, explicou.

E detalha:

Relacionamento, criatividade e ressonância emocional vão ser inerentes ao trabalho. O trabalho está cada vez mais ligado à decisão e produção, não à repetição de tarefas”.

Um mercado em transição constante

Ao longo da entrevista, Thiago Muniz reforçou que o avanço tecnológico não elimina o papel humano, mas o reposiciona dentro das organizações.

A tecnologia vai acelerar mais do que estamos falando, mas vai aumentar a distância entre quem sabe usar e quem não sabe”, concluiu.

Para ele, a adaptação não é opcional:

Buscar conhecimento é infinito. O tempo todo está acontecendo mudança. O empresário precisa investir em educação”.

A discussão sobre ferramentas digitais, IA e experiência de trabalho segue como um dos principais debates do mercado atual, especialmente diante da aceleração tecnológica e da necessidade de adaptação constante de profissionais e empresas.

 

Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus