A paralisação dos rodoviários realizada na manhã desta quarta-feira, 27, em Manaus, reacendeu o debate sobre mobilidade urbana e as discussões em torno do fim da escala 6×1. Durante entrevista ao programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Manaus, o vereador Rodrigo Sá afirmou que a pauta trabalhista precisa ser discutida, mas destacou que a população não pode sofrer prejuízos com a interrupção do transporte coletivo.
Segundo o parlamentar, Manaus já enfrenta dificuldades históricas no trânsito e no transporte público, cenário que acaba sendo agravado quando há paralisações no sistema.
“A ideia de diminuir a tensão, diminuir o tempo de espera e o tempo de vida dentro de um trânsito que muitas vezes se mostra caótico, a gente precisa melhorar o transporte de massa”, afirmou.
Rodrigo Sá também declarou que o debate sobre a redução da jornada de trabalho precisa ocorrer de forma ampla no Congresso Nacional, avaliando os impactos tanto para os trabalhadores quanto para os serviços essenciais utilizados diariamente pela população.
“A escala 6×1, obviamente, é algo que pode melhorar a vida do trabalhador, o fim dela, mas eu acredito que a população não deva ser e não pode ser prejudicada nesse momento”, declarou.
O protesto começou por volta das 6h e durou cerca de uma hora e meia. Motoristas e cobradores interromperam a circulação de ônibus em diferentes pontos de Manaus, principalmente na região Central e nas linhas que atendem o Distrito Industrial. Passageiros chegaram a desembarcar dos coletivos durante a paralisação, enquanto filas de ônibus se formaram em algumas vias da capital.
Segundo entidades sindicais, o ato foi organizado pelo Sindicato dos Rodoviários com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindplast, Sindpetro e Sindicato dos Metalúrgicos. Os manifestantes defendem o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter apenas um de folga.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Givancir de Oliveira, afirmou que a mobilização busca pressionar o Congresso Nacional a avançar na discussão da proposta e garantir melhores condições de trabalho para a categoria.
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que foi surpreendido pela paralisação e afirmou que o movimento ocorreu sem aviso prévio. O sindicato patronal destacou ainda que o ato desrespeitou decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que determina operação mínima do sistema por se tratar de serviço essencial.
Já o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informou que respeita o direito à manifestação, mas reforçou a necessidade de manutenção do transporte coletivo para evitar impactos à população. Segundo o órgão, as linhas começaram a ser normalizadas a partir das 8h.
A paralisação ocorreu em meio à discussão nacional sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim gradual da escala 6×1. O texto apresentado pelo relator da proposta, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, além da garantia de ao menos duas folgas semanais.
Com Informações do G1 Amazonas
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






