A operação de motocicletas da Honda em Manaus teria passado por uma discussão sobre sua continuidade no início da década de 1990. O relato é de Massami Miki, ex-vereador de Manaus e ex-servidor da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que afirma ter participado de conversas com o executivo japonês Sadao Maeda sobre as perspectivas da empresa no Amazonas.
A história também foi apresentada em vídeo publicado por Marcus Pessoa, idealizador do site No Amazonas é Assim, no qual é relatada a participação de Massami nos acontecimentos que antecederam a permanência da operação da Honda na capital amazonense.
Segundo Miki, Maeda chegou a Manaus em 1991 com a determinação, recebida no Japão, de encerrar a operação de motocicletas porque os resultados financeiros registrados desde a implantação não correspondiam às expectativas da companhia.
O relato sobre a ordem de fechamento é atribuído a Massami. Registros públicos consultados confirmam a atuação de Maeda na Moto Honda da Amazônia naquele período, mas não detalham uma decisão interna da empresa para encerrar a fábrica.
Há registros que apontam Maeda como vice-presidente da Moto Honda da Amazônia entre 1991 e 2001. A Câmara de Comércio e Indústria Nipo-Brasileira do Amazonas também registra a atuação dele como representante da empresa e presidente da entidade entre 1995 e 2001.
Relação começou durante atuação na Suframa
Massami conta que trabalhava na Suframa e passou a auxiliar Maeda em questões relacionadas à operação da empresa e ao funcionamento da Zona Franca de Manaus.
Registros da Assembleia Legislativa do Amazonas citam a atuação de Massami em uma coordenação da Suframa no início dos anos 1990, período em que também participou de ações relacionadas a produtores da região de Manaus.
Segundo o relato de Miki, a relação profissional com Maeda também se estendeu ao convívio entre as famílias. A esposa do executivo enfrentava problemas de saúde e utilizava cadeira de rodas.
A mãe de Massami, que era enfermeira formada no Japão, teria passado a visitar a família algumas vezes por semana para auxiliar nos cuidados com a esposa de Maeda. A convivência, segundo Miki, aproximou as famílias e estabeleceu uma relação de confiança.
Foi nesse período, conforme o relato, que Maeda revelou a Massami a missão que teria recebido do Japão para encerrar a operação de motocicletas em Manaus.
Viagens pelo Brasil teriam influenciado decisão
Massami afirma que tentou convencer o executivo a conhecer melhor o mercado brasileiro antes de tomar uma decisão sobre a continuidade da fábrica.
A proposta era viajar por diferentes regiões do país para observar o mercado e avaliar o potencial das motocicletas no Brasil. Segundo Miki, os dois chegaram a fazer viagens juntos.
Após essa experiência, Maeda teria mudado sua avaliação sobre a operação. De acordo com Massami, o executivo identificou espaço para o crescimento do mercado de duas rodas no país e decidiu defender a continuidade das atividades.
Maeda teria retornado ao Japão para discutir a situação da unidade brasileira. Ao voltar para Manaus, segundo Massami, pediu apoio para enfrentar o processo de manutenção da operação.
A fábrica permaneceu na capital amazonense. Maeda continuou ligado à Moto Honda da Amazônia durante a década de 1990 e participou de outras iniciativas da companhia no estado.
Registros relacionados ao projeto KM48, estrutura de testes implantada posteriormente pela Honda no Amazonas, também apontam Maeda como vice-presidente da fábrica de Manaus entre 1991 e 2001 e como um dos envolvidos na concepção do projeto.
Honda ampliou operação em Manaus
A Moto Honda já operava no Amazonas antes do episódio relatado por Massami. A unidade iniciou a produção de motocicletas em Manaus na década de 1970 e, posteriormente, ampliou sua participação na cadeia industrial instalada na Zona Franca.
Em 2011, durante uma manifestação na Câmara Municipal de Manaus pelos 35 anos da empresa no estado, Miki mencionou investimentos realizados pela companhia em áreas como tecnologia, meio ambiente, educação e treinamento.
A relação entre Massami e representantes da comunidade empresarial japonesa também aparece em registros posteriores. Em 1995, ele integrou, como vereador de Manaus, a comissão responsável pelas comemorações do centenário do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão. Sadao Maeda aparece no mesmo registro como um dos vice-presidentes da comissão.
O episódio sobre a possibilidade de fechamento da fábrica e a participação de Massami nas conversas que teriam contribuído para a permanência da operação são apresentados a partir do relato de Miki, reproduzido também no vídeo publicado por Marcus Pessoa, do No Amazonas é Assim.
As fontes públicas consultadas confirmam que Massami e Maeda tiveram atuação ligada à Zona Franca, à indústria e à comunidade nipo-brasileira naquele período, mas não documentam os detalhes da decisão interna atribuída à Honda.
Crédito do vídeo: Marcus Pessoa / No Amazonas é Assim
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






