A Indonésia negocia a exportação de até 1 milhão de toneladas de fertilizantes para Brasil, Índia, Tailândia e Filipinas. A informação foi divulgada pelo secretário de gabinete indonésio, Teddy Indra Wijaya, em comunicado oficial.
O volume em negociação se soma a 250 mil toneladas já exportadas para a Austrália. A iniciativa ocorre em meio a um excedente interno de produção, enquanto o governo busca equilibrar a oferta doméstica com oportunidades no mercado internacional.
Segundo a estatal Pupuk Indonesia, os embarques ainda dependem de cálculos finais para garantir o abastecimento interno. A definição do cronograma é considerada o principal ponto em análise.
“Ainda estamos calculando. A questão central é o tempo. O fertilizante precisa estar disponível exatamente quando os agricultores precisam”, afirmou o diretor-presidente Rahmad Pribadi.
Estoque e produção
A Indonésia possui atualmente cerca de 1,2 milhão de toneladas de fertilizantes em estoque. A produção diária gira em torno de 25 mil toneladas de ureia e 15 mil toneladas de NPK. O consumo interno diário está em aproximadamente 30 mil toneladas, com redução após períodos de maior demanda no início do ano.
A diferença entre produção e consumo abriu uma janela para exportações. No entanto, autoridades destacam que o uso de fertilizantes no país é influenciado por ciclos agrícolas e condições climáticas, o que exige controle sobre o momento de envio ao exterior.
“No total anual, a oferta é suficiente. Mas precisamos garantir que a distribuição não perca o período de plantio”, disse Rahmad.
Mercado internacional
As negociações ocorrem em um cenário de pressão no mercado global de fertilizantes. Interrupções em cadeias logísticas, incluindo tensões em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, elevaram os preços internacionais da ureia.
O vice-ministro da Agricultura, Sudaryono, afirmou que o país avalia exportar até 1,5 milhão de toneladas de ureia, após identificar excedente interno. O plano inclui negociações com países como a Índia, cujo período de plantio entre julho e setembro pode coincidir com menor demanda interna na Indonésia.
“As necessidades domésticas continuam sendo prioridade. Depois disso, há excedente que pode ser exportado”, declarou.
Capacidade e decisão final
A capacidade anual de produção de ureia da Indonésia é de aproximadamente 14,5 milhões de toneladas, volume superior à demanda interna. Segundo o governo, isso permite explorar o mercado externo sem comprometer o abastecimento local, desde que a distribuição seja planejada.
A decisão final sobre os embarques ainda não foi tomada. O governo monitora a evolução do consumo interno antes de autorizar as exportações.
“Se a demanda doméstica continuar diminuindo, esse será o momento adequado para exportar”, afirmou Rahmad.
Com informações da Jacarta*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






