Manaus registra melhora na qualidade do ar, mas continua como cidade mais poluída do Brasil

Chuvas durante a madrugada reduziram a concentração de poluentes nesta terça-feira (13), mas pontos da capital ainda registram níveis prejudiciais à saúde. Aulas da rede municipal permanecem suspensas
Manaus apresentou uma redução nos níveis de poluição do ar na manhã desta terça-feira (13), após chuvas atingirem bairros das zonas Oeste e Centro-Oeste durante a madrugada. Apesar da melhora, a capital amazonense continuou como a cidade com o ar mais poluído do Brasil, segundo o monitoramento da plataforma internacional IQAir.

Por volta das 5h30, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) marcou 92 pontos, classificação considerada moderada. A concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 31 microgramas por metro cúbico (µg/m³), valor equivalente a 6,3 vezes a referência anual estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O resultado representa uma redução em relação à segunda-feira (12), quando o índice atingiu 195 pontos, classificado como insalubre, com concentração de 123 µg/m³ de partículas finas.

Bairros de Manaus ainda registram níveis elevados de poluição

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontaram redução na concentração de poluentes em parte da cidade. A maioria dos pontos monitorados apresentou qualidade do ar moderada, mas alguns bairros permaneceram com índices superiores.

No Parque 10, a concentração de partículas chegou a 41,7 µg/m³. No Coroado, o monitoramento registrou 88,8 µg/m³, nível classificado como muito ruim. Já nas proximidades do Puraquequara, a concentração foi de 51,2 µg/m³, considerada ruim.

As chuvas começaram por volta de 1h30 e atingiram bairros como Compensa, Lírio do Vale, Alvorada e Tarumã.

Pela classificação utilizada pelo Selva, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas está entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse limite, os níveis variam entre moderado e péssimo.

Aulas da rede municipal continuam suspensas

Mesmo com a redução dos índices de poluição, as aulas da rede municipal de Manaus permanecem suspensas nesta terça-feira (13). A decisão foi anunciada na noite de segunda-feira (12) como medida preventiva para reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça.

As atividades escolares também haviam sido suspensas na sexta-feira (9), em razão das condições atmosféricas.

Segundo a Prefeitura de Manaus, a fumaça que atinge a capital nas últimas semanas tem origem em queimadas registradas no interior do Amazonas, principalmente nas regiões Leste e Metropolitana, além de incêndios em outros estados.

O município informou que mantém o acompanhamento da qualidade do ar e as orientações preventivas às unidades de ensino.

Amazonas registra aumento de 271% nos focos de incêndio

A situação da qualidade do ar ocorre em meio ao crescimento dos incêndios florestais no Amazonas. Nos dez primeiros dias de outubro, o estado contabilizou 1.380 focos de incêndio, aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025.

Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Para reforçar o combate às queimadas, o governo federal mobilizou aeronaves e equipes para atuar na Região Metropolitana de Manaus e em municípios do interior.

Quatro aviões Air Tractor foram destinados a Autazes e ao entorno da capital, com operações a partir da Base Aérea de Manaus. Outros dois atuam na região de Itacoatiara, onde também está sendo estruturada uma base de apoio.

Um avião cargueiro KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB), foi direcionado para Parintins. A aeronave tem capacidade de lançar até 12 mil litros de água em uma única passagem sobre áreas atingidas pelo fogo.

A operação também conta com três helicópteros destinados a diferentes atividades de apoio e combate aos incêndios.

Manaus permanece em estado de atenção por causa da fumaça

Manaus continua em estado de atenção, classificação adotada pela Prefeitura em 24 de setembro diante do agravamento das condições atmosféricas.

Segundo o município, a medida é utilizada quando ocorrências afetam a cidade e existe previsão de eventos de alto impacto no curto prazo.

Além disso, a capital está entre os 36 municípios amazonenses que tiveram a situação de emergência reconhecida pelo governo federal em razão dos incêndios florestais.

O reconhecimento foi oficializado no sábado (10), pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), mesma data em que o governo estadual decretou situação de emergência.

A medida permite a articulação de ações entre União, Estado e municípios, além de viabilizar o repasse de recursos para o enfrentamento dos incêndios e atendimento à população.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que a resposta envolve tanto o combate ao fogo quanto a assistência às pessoas afetadas.

“Uma coisa é enfrentar em todas as frentes e empregar toda a força que puder, Governo Federal junto com o Estado e municípios, para apagar o fogo. A outra é assistir pessoas que já estão, de alguma forma, precisando de ajuda humanitária, de assistência médica como resultado do incêndio”, declarou.

Segundo o ministro, equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) já atuam no Amazonas para prestar assistência à população.

 

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus