Pesquisadores da Universidade ULBRA identificaram sinais de fortalecimento do fenômeno El Niño a partir de análises realizadas nos Laboratórios de Geociências da instituição. O estudo envolve professores dos cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária.
As análises apontam aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial com deslocamento em direção à costa da América do Sul. Segundo os pesquisadores, o cenário pode provocar alterações no clima da Amazônia ao longo de 2026.
O professor e físico Newton Lima afirmou que os dados indicam aumento da temperatura no Oceano Pacífico Tropical.
“Estamos verificando aqui que a temperatura sobre o Oceano Pacífico na região tropical já começa o seu aquecimento. Esse processo vem da região próxima à Austrália e segue em direção à América do Sul, influenciando as condições climáticas que chegam até o Brasil”, disse.
O El Niño ocorre quando há aumento anormal da temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno interfere na circulação atmosférica e altera padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões.
Na Amazônia, o fenômeno está associado a períodos de estiagem, redução do nível dos rios e aumento das temperaturas. Segundo os pesquisadores, comunidades ribeirinhas podem enfrentar impactos no transporte, pesca, abastecimento e acesso a serviços.
O coordenador do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da ULBRA, professor Alan Ferreira, afirmou que os efeitos podem atingir a rotina da população.
“Estamos com risco de incêndios florestais, escassez de peixes, alteração na oferta de água. Tudo isso pode afetar inclusive o nosso comércio, a movimentação na frente de Manaus e os nossos transportes hidroviários”, afirmou.
O estudo aponta ainda impactos econômicos. Manaus depende do transporte fluvial para abastecimento e logística, incluindo atividades ligadas à Zona Franca. Segundo os pesquisadores, uma seca pode afetar a navegação e elevar custos de transporte.
Também há previsão de aumento do calor na capital. Em períodos de estiagem, a sensação térmica tende a subir, com impacto no consumo de energia e na rotina da população.
Outro ponto citado é o risco de queimadas em razão da redução da umidade. A ocorrência de incêndios pode afetar a qualidade do ar e gerar impactos na saúde de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Os pesquisadores estimam que os efeitos do fenômeno devem ganhar força a partir do segundo semestre de 2026. O pico pode ocorrer em janeiro, segundo o professor Newton Lima.
“Como o fenômeno El Niño já está se estabelecendo, na nossa região ele deve chegar aproximadamente em setembro, já bastante acentuado, e terá o seu pico em janeiro”, disse.
A recomendação dos pesquisadores é de acompanhamento das condições climáticas e preparação para possíveis períodos de estiagem.
“É preciso cuidar da nossa saúde, da nossa alimentação e principalmente da nossa floresta. Devemos ter atenção aos incêndios, à qualidade da água e às mudanças que podem acontecer no ambiente”, afirmou Alan Ferreira.
A Universidade ULBRA informou que seguirá monitorando o comportamento das condições oceânicas e atmosféricas por meio dos Laboratórios de Geociências, com objetivo de acompanhar a evolução do fenômeno e fornecer dados para análise de impactos na região.
Com informações da Assessoria de Comunicação*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






