Os indiciamentos fazem parte da primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades na negociação de carteiras de crédito entre as instituições financeiras.
De acordo com o relatório da PF, Vorcaro teria exercido participação direta e recorrente nas operações investigadas. Os agentes apontam que ele ocupava o centro das decisões do Banco Master e seria o principal beneficiário econômico das transações destinadas a obter recursos para a instituição.
Vorcaro foi preso em março de 2026 e permanece custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.
Ex-presidente do BRB também foi indiciado
Além de Vorcaro, estão entre os 15 indiciados o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.
Os investigados foram indiciados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
PF aponta prejuízo de R$ 2,7 bilhões
Segundo a Polícia Federal, parte das perdas identificadas está relacionada à negociação de carteiras de crédito inexistentes atribuídas à Tirreno, empresa apontada pelos investigadores como uma estrutura de fachada operada pelo Banco Master.
Essas carteiras teriam sido utilizadas em transações com o BRB.
A PF afirma que os R$ 2,7 bilhões correspondem a perdas já formalizadas e reconhecidas, e não apenas a uma estimativa de risco financeiro.
Com a conclusão da primeira etapa da investigação, o relatório de indiciamentos foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os investigadores também solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação das apurações por mais 60 dias. O prazo adicional será destinado à conclusão de exames periciais pendentes e à elaboração de um relatório complementar.
Defesa de Vorcaro nega prejuízo ao BRB
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro contestou as conclusões da Polícia Federal e negou que as operações envolvendo o BRB e a Tirreno tenham causado prejuízo ao banco público.
Segundo os advogados, a negociação das carteiras de crédito não foi concluída e os ativos foram substituídos por outros investimentos.
A defesa sustenta que as transações entre o Banco Master e o BRB produziram resultados positivos para o banco de Brasília e afirma que nenhuma perícia oficial comprovou perdas financeiras.
Os advogados também alegam que, após um ano de investigação, a PF mantém a mesma linha de acusação sem apresentar avanços que sustentem a existência de prejuízo.
O indiciamento representa uma conclusão da investigação policial sobre a existência de indícios de crimes e não equivale a uma condenação judicial.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






