Dados nacionais apontam que a Região Norte liderou os casos de estupro de vulneráveis em 2025, com cerca de 25 ocorrências por dia. Ao todo, foram contabilizados 57.329 registros, um crescimento de 10,6% em relação a 2024. As mulheres representaram 84% das vítimas, e especialistas alertam para a persistente subnotificação do crime.
O levantamento divulgado pelo site Poder360, com base em dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Sinesp), indica que os casos de estupro de vulneráveis vêm aumentando consistentemente no país. Desde 2015, os registros subiram 256%, mas ainda há subnotificação significativa, segundo especialistas.
O Código Penal brasileiro define estupro de vulnerável como a prática de “conjunção carnal ou outro ato libidinoso” com pessoas incapazes de consentir, incluindo menores de 14 anos ou indivíduos com deficiência mental que não possam compreender ou resistir ao ato.
Perfil das vítimas e contexto
Em 2025, 84% das vítimas eram mulheres. Especialistas apontam que muitos casos ocorrem em ambientes familiares ou círculos de confiança, envolvendo relações de poder e dependência econômica, o que dificulta a denúncia. Isabella Matosinhos, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca:
“Muitas vítimas não conseguem identificar que o que viveram constitui um crime. Em contextos de maior dependência econômica e isolamento territorial, a capacidade de romper o silêncio e denunciar tende a ser menor, o que explica a concentração de casos na Região Norte.”
Estados com maiores índices
Roraima apresentou a maior taxa proporcional de ocorrências, com 73,1 vítimas para cada 100 mil habitantes. Rondônia ocupa a segunda posição, seguido de Amapá, Pará e Acre. Em alguns estados da Região Norte, governadores de perfil mais à direita estão à frente de 8 dos 10 Estados com maiores índices de 2025.
Desde as últimas eleições gerais, Amazonas e Pará registraram aumento nos casos em relação a 2022, com alta de 97,3% e 26,4%, respectivamente.
Ações dos governos estaduais
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Roraima: Intensificou ações integradas de combate ao crime, em articulação com órgãos de segurança e judiciário.
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Pará: Reforçou o efetivo policial e instalou duas bases fluviais em Breves e Óbidos.
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Paraná: Reduziu os casos de estupro de vulneráveis em 15% em 2025, mantendo políticas de enfrentamento à violência de gênero.
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Acre e Tocantins: Declararam compromissos contínuos com prevenção e repressão ao crime, incluindo redução de 10,58% no Tocantins em 2025.
O levantamento do Poder360 utilizou dados do Sinesp e optou por analisar a proporção de casos por 100 mil habitantes, em vez de números absolutos, para demonstrar o cenário nacional de maneira mais equilibrada.
Com informações da Assessoria.
Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.






