Tempestades no Chile deixam 10 mortos, isolam mais de 100 mil pessoas e levam governo a decretar estado de catástrofe

Chuvas atingem principalmente as regiões de Coquimbo e Atacama, provocam enchentes, bloqueio de rodovias, danos a moradias e interrupção no fornecimento de água e energia

As tempestades que atingem o Chile desde o último dia 15 deixaram pelo menos 10 mortos, quatro desaparecidos e 17 feridos, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Serviço Nacional de Emergências (Senapred). O governo chileno decretou estado de catástrofe e mobilizou o Exército para atuar nas operações de resgate e assistência às áreas afetadas.

O temporal, que começou no sul do país, passou a atingir com maior intensidade as regiões de Coquimbo e Atacama, no norte chileno, onde eventos desse tipo são incomuns. O transbordamento de rios bloqueou rodovias e deixou mais de 100 mil pessoas isoladas.

O primeiro boletim divulgado na manhã desta segunda-feira apontava cinco mortes, mas o número foi atualizado ao longo do dia para 10 vítimas fatais.

Moradias destruídas e milhares de desabrigados

Segundo o governo, as chuvas provocaram danos em cerca de 2.200 moradias, entre imóveis destruídos e com danos estruturais.

O levantamento também contabiliza aproximadamente 2.400 pessoas desabrigadas e mais de 100 mil moradores isolados em diferentes localidades.

O governador da região de Coquimbo, Cristóbal Juliá, afirmou que bairros inteiros ficaram cobertos por lama e alagados.

“Há bairros cheios de lama, inundados, pessoas que perderam suas casas e seus pertences.”

Segundo ele, a última ocorrência de chuvas intensas semelhante havia sido registrada em 1997, mas o volume atual superou aquele evento.

Governo decreta estado de catástrofe

Diante da situação, o presidente do Chile, José Antonio Kast, decretou estado de catástrofe nas áreas atingidas.

A medida permite o envio de militares, restrições à circulação de pessoas em determinadas regiões e aceleração das ações de assistência às vítimas.

Chuvas provocam falta de água e energia

As enchentes também comprometeram o abastecimento de água potável em Coquimbo devido às inundações, ao acúmulo de lama e aos cortes de energia.

O vice-ministro do Interior, Máximo Pavez, afirmou que o volume de chuva registrado em apenas uma hora corresponde ao esperado para um mês inteiro.

“O que normalmente chove em um mês caiu em uma hora, o que nos leva a classificar este evento como precipitações anormais e extremas.”

O meteorologista Arnaldo Zúñiga, da Direção Meteorológica do Chile, informou que o país não enfrentava uma tempestade com essa extensão e intensidade havia cerca de duas décadas.

Segundo o Ministério da Energia, aproximadamente 150 mil pessoas permanecem sem fornecimento de energia elétrica.

A empresa Aguas del Valle informou que parte da infraestrutura de abastecimento foi danificada pelas chuvas, obrigando a retirada de equipes de algumas instalações.

Portos restringem operações

As condições climáticas também afetaram a atividade portuária.

Com ondas elevadas e rajadas de vento superiores a 100 km/h, dezenas de portos chilenos restringiram parte das operações como medida de segurança.

As equipes de emergência seguem trabalhando para restabelecer o acesso às comunidades isoladas e atender os moradores afetados pelas tempestades.


Com informações da Carta da Capital*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus