União Europeia estuda restringir acesso de menores de 13 anos às redes sociais

Comissão Europeia deve apresentar proposta legislativa ainda este ano após receber recomendações de especialistas sobre proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital

A União Europeia avançou nas discussões para restringir o acesso de crianças às redes sociais e deve apresentar uma proposta legislativa ainda neste ano. A medida prevê limitar o uso de plataformas digitais por menores de 13 anos e estabelecer regras graduais de acesso para adolescentes.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, recebeu nesta segunda-feira (8) um relatório elaborado por um grupo de especialistas com recomendações para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

O documento sugere que menores de 13 anos tenham acesso às redes sociais apenas de forma supervisionada por pais, responsáveis ou professores. As restrições seriam flexibilizadas gradualmente conforme o avanço da idade.

Segundo Von der Leyen, o debate já não se concentra na existência de riscos online para crianças, mas nas medidas necessárias para reduzir esses riscos.

“É evidente que precisamos de restrições adequadas à idade para as plataformas. A questão já não é se as crianças enfrentam riscos on-line, mas sim o que podemos fazer para lhes dar um começo mais seguro on-line”, afirmou.

Proposta deve ser apresentada no segundo semestre

A Comissão Europeia analisa a adoção de regras comuns para os 27 países do bloco após pressões de governos como os da Grécia e França, que defendem restrições ao uso de redes sociais por menores.

Von der Leyen indicou que a proposta legislativa deve ser apresentada no segundo semestre deste ano e poderá ser antecipada durante o discurso sobre o Estado da União, previsto para setembro.

A presidente da Comissão Europeia defendeu a criação de um modelo de acesso escalonado, permitindo que adolescentes utilizem plataformas digitais de acordo com a faixa etária e o nível de proteção oferecido pelas empresas.

“A questão não é se as crianças podem acessar as redes sociais. A questão é se e quando as redes sociais podem ter acesso às nossas crianças”, declarou.

Relatório sugere regras por faixa etária

O grupo de especialistas, coordenado pelo psiquiatra infantil Jörg Fegert e pela epidemiologista Maria Melchior, propôs três níveis de acesso ao ambiente digital:

  • Nenhum uso de telas para bebês e crianças pequenas;
  • Uso supervisionado de dispositivos e redes sociais apropriadas para crianças entre 3 e 12 anos;
  • Uso progressivamente autônomo para adolescentes de 13 a 18 anos em plataformas que possuam mecanismos de segurança.

A epidemiologista Maria Melchior afirmou que o objetivo é ampliar a proteção de crianças e adolescentes diante dos impactos do ambiente digital.

“Estamos convencidos de que a Europa precisa adotar medidas de proteção para garantir a segurança de crianças e adolescentes no mundo digital”, disse.

Plataformas podem ser obrigadas a remover recursos

Em vez de uma proibição total das redes sociais, o relatório recomenda limitar funcionalidades consideradas capazes de estimular o uso contínuo das plataformas.

Entre os recursos que poderão ser restringidos estão:

  • Reprodução automática de vídeos (autoplay);
  • Rolagem infinita de conteúdo (infinite scroll);
  • Notificações automáticas (push notifications).

A proposta considera experiências adotadas por outros países, como a Austrália, onde parte dos usuários encontrou formas de contornar as restrições de acesso.

Debate divide países do bloco

Os países da União Europeia ainda divergem sobre a idade mínima para acesso às redes sociais. A Espanha defende a proibição para menores de 16 anos, enquanto a França propõe restrições até os 15 anos. Já países como a Estônia se posicionam contra a medida.

No Parlamento Europeu, parte dos deputados também defende limites mais rígidos. Em outubro do ano passado, a instituição aprovou uma posição favorável à proibição do acesso às redes sociais para menores de 16 anos.

Qualquer proposta apresentada pela Comissão Europeia ainda precisará ser negociada com o Parlamento Europeu e os 27 Estados-membros antes de entrar em vigor.

Além das restrições etárias, a Comissão Europeia informou que prepara uma nova legislação voltada à proteção de crianças e adolescentes contra mecanismos digitais considerados viciantes. A proposta deve ser apresentada ainda em 2026.

 

Com informações do O Globo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus