Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que 83,1% dos idosos brasileiros com demência não sabem que convivem com a condição. Os dados foram publicados na revista científica International Journal of Geriatric Psychiatry e reforçam o cenário de subdiagnóstico já apontado pelo Relatório Nacional sobre a Demência, divulgado pelo Ministério da Saúde em 2024.
A pesquisa analisou dados de 5,2 mil brasileiros com mais de 60 anos acompanhados pelo Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil). Entre os participantes, 392 apresentaram critérios compatíveis com demência após testes cognitivos e avaliações funcionais. Desse grupo, mais de 80% não tinham recebido diagnóstico médico anteriormente.
Segundo os pesquisadores, o índice de subdiagnóstico é maior em regiões mais pobres do país. Nessas áreas, 90,2% dos idosos com sinais de demência não sabiam do quadro. Entre pessoas analfabetas, o percentual chegou a 93,9%.
Diagnóstico precoce ainda é desafio
O Ministério da Saúde estima que cerca de 2,5 milhões de brasileiros convivam atualmente com algum tipo de demência. Considerando os números do estudo, aproximadamente 2 milhões dessas pessoas podem estar sem diagnóstico.
Os autores afirmam que o diagnóstico precoce é importante para o acompanhamento clínico, planejamento familiar, acesso a tratamentos e suporte aos cuidadores.
“O diagnóstico oportuno e preciso, feito quando os sintomas começam a chamar atenção clínica e o comprometimento funcional ainda é limitado, é essencial para o manejo clínico, a educação do paciente e dos cuidadores, o planejamento do cuidado e o acesso a tratamentos e apoio psicossocial”, destacam os pesquisadores no artigo.
O levantamento também aponta dificuldades de acesso ao sistema de saúde, falta de capacitação profissional e fatores culturais como obstáculos para identificação da doença.
Entre eles está a percepção de que perda de memória e declínio cognitivo seriam consequências naturais do envelhecimento, o que pode atrasar a busca por atendimento médico.
Como identificar sinais de demência
Os pesquisadores alertam que alterações cognitivas persistentes devem ser avaliadas por profissionais de saúde. Entre os sinais mais comuns estão:
- perda frequente de memória;
- dificuldade para lembrar informações recentes;
- confusão mental;
- dificuldade para realizar tarefas do dia a dia;
- alterações no comportamento;
- desorientação no tempo e espaço;
- dificuldade de comunicação;
- mudanças de humor e raciocínio.
O estudo defende ampliação das estratégias de detecção precoce da demência na atenção primária à saúde, além de campanhas de conscientização para profissionais e população.
Conheça os famosos diagnosticados com demência ou doenças neurológicas
Diversos artistas e personalidades públicas também receberam diagnósticos relacionados à demência ou doenças neurológicas nos últimos anos.
Milton Nascimento — Demência por Corpos de Lewy
O cantor foi diagnosticado com Demência por Corpos de Lewy (DCL), doença neurodegenerativa que compromete cognição e movimentos. Ele também convivia com Parkinson desde 2022.
Bruce Willis — Demência Frontotemporal
O ator deixou a carreira em 2022 após diagnóstico inicial de afasia. Em 2023, a família confirmou Demência Frontotemporal (DFT).
Maurício Kubrusly — Demência Frontotemporal
O jornalista está afastado da televisão desde 2019 após diagnóstico de DFT.
Robin Williams — Demência por Corpos de Lewy
Após sua morte em 2014, exames apontaram que o ator sofria de DCL.
Maguila — Encefalopatia Traumática Crônica
O ex-boxeador morreu em 2024 após complicações da doença associada a repetidos traumas na cabeça.
Vanusa — Demência
A cantora enfrentou perda cognitiva progressiva semelhante ao Alzheimer antes de morrer em 2020.
Tony Bennett — Alzheimer
O artista revelou diagnóstico de Alzheimer em 2021 e continuou realizando apresentações antes de morrer em 2023.
Com informações da Folha de São Paulo e G1*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






