O Fundo Amazônia anunciou a destinação de R$ 350 milhões para projetos voltados à sociobioeconomia e à inovação na Amazônia Legal. Os recursos serão direcionados à inclusão produtiva, ao fortalecimento de cooperativas e ao desenvolvimento científico e tecnológico na região.
O anúncio foi feito em Brasília, durante o lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), iniciativa do Governo Federal para estruturar a política nacional do setor. O Fundo Amazônia é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De acordo com o governo, os investimentos devem beneficiar mais de 5 mil famílias, ao menos 60 cooperativas e cerca de 60 Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), sendo pelo menos 32 localizadas na Amazônia.
Durante o evento, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou:
“Ao destinarmos recursos do Fundo Amazônia para a sociobioeconomia e a inovação no bioma, viabilizamos a geração de prosperidade para as brasileiras e brasileiros por meio do uso sustentável dos recursos naturais. Este investimento será fundamental para colocar em prática as metas do PNDBio relacionadas à sociobiodiversidade, dando impulso à transformação da bioeconomia em pilar fundamental do desenvolvimento sustentável no Brasil”.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, também comentou sobre a medida:
“O Brasil está estruturando uma política de bioeconomia que integra desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. O Fundo Amazônia é um instrumento estratégico para transformar esse potencial em realidade, apoiando quem produz, quem inova e quem protege a floresta”.
Entre as iniciativas está o programa Coopera+ Amazônia, com R$ 107,2 milhões em recursos, sendo R$ 103,5 milhões do Fundo Amazônia e R$ 3,7 milhões do Sebrae. O projeto prevê o fortalecimento de 50 cooperativas em cinco estados da Amazônia Legal, com impacto direto em mais de 3 mil famílias.
Dados de 2023 indicam a existência de 218 cooperativas de agricultura familiar na região, com 15.826 cooperados com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). O Coopera+ Amazônia tem como público 6.444 cooperados e deve atingir 40,7% desse total.
As ações incluem capacitação, assistência técnica, promoção do cooperativismo e acesso a mercados. Do total de recursos, R$ 62 milhões serão destinados à compra de máquinas e equipamentos para processamento, armazenamento e comercialização.
O programa também prevê a aplicação da metodologia Agente Local de Inovação para Cooperativas (ALI Coop), com foco em gestão, produtividade e melhoria de processos.
Outro projeto contemplado é o “Cooperar com a Floresta: Consolidando Cadeias Agroextrativistas no Acre”, com investimento de R$ 69 milhões. A iniciativa vai atender 2.500 famílias organizadas em 10 cooperativas da rede Cooperacre, com atuação em 12 municípios.
O projeto prevê implantação de sistemas agroextrativistas, construção de viveiro de mudas, aquisição de equipamentos e estruturação de logística para escoamento da produção, além da formação de equipes de assistência técnica.
Na área de ciência e inovação, o Fundo Amazônia destinará R$ 181,3 milhões ao programa “Desafios da Amazônia”, executado pela Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) em parceria com o Confap, dentro da Iniciativa Amazônia+10.
A proposta é apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com participação conjunta de instituições científicas e organizações socioprodutivas, integrando conhecimento técnico e saberes tradicionais. A expectativa é impulsionar entre 10 e 15 cadeias produtivas na região.
Criado em 2008, o Fundo Amazônia financia projetos de combate ao desmatamento e promoção do uso sustentável da floresta. Em 2025, o fundo registrou R$ 2 bilhões em projetos aprovados.
Entre 2023 e 2025, foram aprovados e contratados R$ 4 bilhões em cerca de 50 projetos, o que representa 58% de todo o volume apoiado desde a criação do mecanismo.
Além da bioeconomia, o fundo também financia ações de monitoramento ambiental, combate a incêndios, regularização fundiária e fortalecimento de órgãos de fiscalização.
Com informações da Agência Rhisa*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






