O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos e reparadores no Brasil. A medida entrou em vigor nesta terça-feira, 2, e impede médicos de utilizar ou divulgar aplicações da substância para aumento de volume em regiões como glúteos, rosto e outras partes do corpo.
A decisão foi anunciada após uma série de casos de complicações graves associadas ao produto, incluindo mortes registradas nos últimos anos. O episódio mais recente ocorreu em São Paulo, onde a maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira, de 48 anos, morreu um dia após realizar aplicações da substância nos glúteos e nas coxas.
Material permanece no organismo
O PMMA é um material sintético utilizado em procedimentos de preenchimento. Diferentemente de outras substâncias, ele não é absorvido pelo organismo e permanece de forma permanente no corpo. Segundo especialistas, essa característica aumenta os riscos em casos de complicações, já que a retirada do material costuma exigir procedimentos cirúrgicos complexos.
“É difícil porque ele é injetado em forma gelatinosa e fica entremeado em tecidos saudáveis que não podem ser retirados na maioria das vezes. Então, essa é a dificuldade técnica: a necessidade de retirar tecidos saudáveis para poder retirar os tecidos comprometidos e o material”, explicou a conselheira federal do CFM, Graziela Bonin.
Complicações podem durar anos
Pessoas que enfrentaram problemas relacionados ao uso da substância relatam que as consequências podem se prolongar por anos. A fisioterapeuta Cláudia Nunes perdeu o noivo após complicações decorrentes de um preenchimento realizado na região do quadril.
“Você pode tirar, mas não consegue eliminar totalmente. São várias cirurgias, cicatrizes, dor, coceira e outros problemas que permanecem por muito tempo”, relatou.
Exceção para pacientes com HIV
A resolução prevê apenas uma exceção. O PMMA poderá continuar sendo utilizado em pacientes com HIV que apresentem perda de gordura facial ou corporal causada pelos medicamentos utilizados no tratamento da doença.
Nesses casos, a aplicação deverá ocorrer exclusivamente em hospitais, unidades de pronto atendimento e postos credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Conselho Federal de Medicina, médicos que utilizarem ou divulgarem o uso da substância para fins estéticos poderão responder por infração ética.
CFM quer ampliar restrições
Apesar da proibição determinada pelo Conselho Federal de Medicina, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém dois produtos à base de PMMA registrados para uso médico. A agência reforça que não existe indicação para uso exclusivamente estético da substância.
O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, informou que a entidade pretende solicitar à Anvisa novas medidas para restringir ainda mais a utilização do produto.
“O Conselho Federal de Medicina vai procurar a Anvisa para pedir providências e buscar medidas que impeçam o uso inadequado desse produto”, afirmou.
Com Informações do Jornal Nacional e do Conselho Federal de Medicina
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






