Manaus terá R$ 200 milhões em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para projetos de adaptação às mudanças climáticas e redução de riscos de desastres. Os recursos são do Fundo Clima e fazem parte do programa BNDES Cidades Resilientes.
Um convênio foi firmado entre o banco e a Prefeitura de Manaus para a execução da iniciativa. Este é o primeiro financiamento aprovado pelo programa, criado para apoiar municípios na elaboração e no financiamento de projetos de resiliência climática, adaptação e prevenção de desastres.
O BNDES ficará responsável pela avaliação dos riscos climáticos, elaboração da estratégia de resiliência, projetos de arquitetura e engenharia e estudos ambientais necessários para subsidiar eventuais processos de licenciamento.
Três áreas estão previstas na primeira etapa
O trabalho terá como foco inicial três regiões de Manaus: Igarapé da Sapolândia, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste; Igarapé do Crespo, na zona Sul; e Comunidade Ouro Verde – Parque dos Tucanos.
Nos igarapés da Sapolândia e do Crespo, os problemas identificados incluem lançamento de esgoto e resíduos sólidos, assoreamento e risco de alagamentos.
A Comunidade Ouro Verde – Parque dos Tucanos reúne aproximadamente 20 mil moradores e apresenta déficit de saneamento básico e problemas relacionados à ocupação urbana.
As áreas também enfrentam inundações, ocupação de espaços ambientalmente sensíveis, erosão, assoreamento de cursos d’água, degradação ambiental e deficiência na infraestrutura de drenagem.
Projetos poderão incluir drenagem e recuperação de igarapés
A primeira etapa prevê diagnósticos ambientais, espaciais, urbanos e socioeconômicos, além do mapeamento das vulnerabilidades e da identificação dos locais considerados prioritários para intervenção.
A partir desses levantamentos, serão elaboradas soluções para reduzir riscos hidrológicos, recuperar áreas degradadas e ampliar a infraestrutura urbana.
As intervenções poderão incluir obras de drenagem, recuperação e requalificação de igarapés, contenção de erosões, requalificação urbana, infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza. Também estão previstas medidas de fortalecimento institucional e planejamento de adaptação climática de longo prazo.
O diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, afirmou que uma das dificuldades enfrentadas pelos municípios é transformar as demandas identificadas em projetos que possam receber investimentos.
“Os municípios conhecem seus problemas e possuem oportunidades de financiamento disponíveis, mas encontram dificuldades para transformar essas demandas em projetos capazes de se converter em investimentos”, afirmou.
Segundo Barbosa, o programa busca integrar as diferentes etapas necessárias para a execução das intervenções.
“O Programa BNDES Cidades Resilientes foi concebido para atuar nesse ponto crítico, combinando estruturação de projetos e acesso ao crédito de forma coordenada e construindo uma agenda que conecta diagnóstico, planejamento, engenharia e financiamento para acelerar a implementação de soluções de adaptação climática nas cidades brasileiras”, acrescentou.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que Manaus será a primeira experiência do modelo.
“Não basta identificar riscos, é preciso transformar vulnerabilidades em projetos licitáveis, financiáveis e capazes de chegar ao território. Manaus é uma primeira experiência dessa estratégia”, declarou.
Cheias e estiagens entram no planejamento
A iniciativa considera os impactos de eventos climáticos registrados nos últimos anos em Manaus. Em 2021, o Rio Negro atingiu uma cheia recorde, provocando alagamentos e impactos sobre famílias, comércio e mobilidade.
Em 2023, a estiagem reduziu os níveis dos rios, afetando comunidades ribeirinhas, abastecimento de água, navegação e transporte de alimentos e outros insumos.
Como funciona o Cidades Resilientes
O BNDES Cidades Resilientes foi criado para auxiliar municípios brasileiros na preparação e no financiamento de projetos de adaptação climática e redução de riscos de desastres.
A metodologia considera ameaças, exposição da população e vulnerabilidades de cada território. A partir do diagnóstico, são definidas as intervenções prioritárias para reduzir riscos e ampliar a capacidade das cidades de enfrentar eventos climáticos.
O programa combina a estruturação técnica dos projetos com instrumentos de financiamento, buscando preparar propostas com condições de acessar recursos destinados à infraestrutura e à adaptação climática.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






