Fumaça encobre Manaus e qualidade do ar fica ruim pelo segundo dia

Sensores registraram concentração de partículas finas acima de 100 µg/m³ durante a madrugada desta quarta-feira (9); queimadas na Região Metropolitana e partículas transportadas de outras áreas podem contribuir para o cenário

Manaus amanheceu novamente encoberta por fumaça nesta quarta-feira (9). Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicaram qualidade do ar classificada como ruim em diferentes pontos da capital pelo segundo dia consecutivo.

Durante a madrugada, a concentração de partículas finas, conhecidas como MP2,5, ultrapassou 100 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em alguns sensores. Por volta das 5h45, foram registrados valores de 119,6 µg/m³, 116,2 µg/m³ e 101,8 µg/m³, além de medições de 93,5 µg/m³ e 93,3 µg/m³.

Pela classificação apresentada pelo Selva, concentrações entre 50 e 125 µg/m³ são enquadradas como qualidade do ar ruim. O nível considerado bom fica entre zero e 25 µg/m³.

Ao longo da manhã, os índices variaram entre as regiões da cidade. O sensor instalado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) registrou 67,9 µg/m³. Na região central, a concentração chegou a 53,9 µg/m³. No Tarumã, Zona Oeste, foram registrados 30,1 µg/m³, condição classificada como moderada.

A presença de fumaça já havia sido percebida na terça-feira (8), quando moradores relataram cheiro de queimado em diferentes bairros. Na ocasião, a maior parte das estações apresentava qualidade do ar moderada, enquanto alguns sensores chegaram ao nível ruim.

De onde vem a fumaça

Pesquisadores da UEA relacionam a fumaça observada em Manaus às queimadas. Segundo o pesquisador Rodrigo Augusto Ferreira de Souza, há relação com focos registrados na Região Metropolitana de Manaus.

Outras análises divulgadas por pesquisadores da universidade indicam que a fumaça pode ter mais de uma origem. Partículas geradas por queimadas no Sul do Amazonas, Sul de Rondônia e Norte de Mato Grosso podem ser transportadas pelas correntes de vento e chegar à capital amazonense.

Até o momento, órgãos ambientais não informaram quais focos específicos seriam responsáveis pela fumaça observada em Manaus.

A situação ocorre durante o período de estiagem, quando a redução das chuvas, o calor e a vegetação seca favorecem a propagação de incêndios.

Qualidade do ar também piora em municípios próximos

O problema também é registrado em municípios da Região Metropolitana e do interior do Amazonas. Em Iranduba, a qualidade do ar chegou à classificação muito ruim. Por volta das 7h40 desta quarta-feira, o sensor instalado no município marcava 83 µg/m³. A cidade registrou recentemente um incêndio na área do lixão.

No mesmo horário, Autazes apresentava 78,4 µg/m³. Em Manacapuru, a concentração estava em 46,1 µg/m³, enquanto Manaquiri registrava 39,9 µg/m³. Os índices estavam acima da faixa considerada boa.

Outros levantamentos do Selva também apontaram Manaquiri em condição muito ruim em medições realizadas no período, enquanto Itacoatiara apareceu com qualidade do ar moderada. Os valores podem mudar ao longo do dia conforme as condições atmosféricas e a dispersão da fumaça.

Amazonas registra mais de mil focos de calor

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam 1.167 focos de calor no Amazonas entre 1º e 7 de setembro. O estado aparece entre os que concentraram maior número de registros no país durante o período.

Incêndios também foram registrados em áreas de vegetação no interior. Em Maués, o fogo atingiu a região do lixão e avançou pela vegetação próxima. Barreirinha também teve ocorrências em áreas de vegetação.

A previsão de ventos fracos para Manaus nesta quarta-feira pode dificultar a dispersão dos poluentes e manter a fumaça próxima à superfície. A temperatura na capital pode chegar a 36°C.

Fumaça pode causar problemas à saúde

As partículas MP2,5 presentes na fumaça têm dimensões que permitem sua entrada no sistema respiratório. Segundo o Ministério da Saúde, a exposição pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, agravar quadros de asma e bronquite e elevar riscos cardiovasculares em pessoas mais suscetíveis.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos que precisam reduzir a exposição durante períodos de piora da qualidade do ar.

A orientação é evitar atividades físicas ao ar livre quando houver maior concentração de fumaça, permanecer em ambientes com menor entrada de poluentes e manter a hidratação. Quando for necessário sair, o Ministério da Saúde recomenda máscaras N95, PFF2 ou P100 ajustadas ao rosto.

 

 

Com informações do AM Post e G1 AM

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus