José Aldo completa 40 anos: relembre a trajetória do “Campeão do Povo”

Aldo deixou Manaus aos 16 anos para buscar carreira no esporte e se tornou um dos principais nomes do MMA brasileiro

José Aldo completa 40 anos nesta quarta-feira (9), após construir uma carreira de destaque no MMA. Natural de Manaus, o ex-campeão peso-pena do UFC deixou a cidade aos 16 anos para buscar uma trajetória profissional no esporte e, anos depois, tornou-se um dos principais nomes brasileiros da modalidade.

A relação de Aldo com as artes marciais começou ainda na infância. Depois de se mudar para o Rio de Janeiro, ele contou com o apoio do treinador Dedé Pederneiras e passou a integrar a academia Nova União. Em agosto de 2004, fez sua estreia profissional no MMA e venceu Mario Bigola.

O manauara encerrou sua trajetória no MMA em maio de 2025, após perder para Aiemann Zahabi por decisão unânime no UFC 315, no Canadá. Na ocasião, anunciou que não pretendia continuar lutando profissionalmente.

Título e domínio no WEC

Antes de chegar ao UFC, José Aldo ganhou projeção no World Extreme Cagefighting (WEC), competição norte-americana que reunia alguns dos principais lutadores do MMA.

Depois de cinco vitórias consecutivas na organização, o brasileiro recebeu a oportunidade de disputar o cinturão peso-pena contra Mike Brown. Em novembro de 2009, Aldo venceu o então campeão por nocaute no segundo round e assumiu o título da categoria.

No ano seguinte, defendeu o cinturão duas vezes. Primeiro, derrotou Urijah Faber por decisão unânime. Depois, superou Manny Gamburyan por nocaute no segundo round.

A chegada ao UFC

Com a fusão entre WEC e UFC, Aldo passou a integrar a maior organização de MMA do mundo e foi reconhecido como o primeiro campeão peso-pena da história da categoria no Ultimate.

A estreia aconteceu em abril de 2011, no Canadá, contra Mark Hominick. O brasileiro manteve o cinturão com uma vitória por decisão unânime. Meses depois, derrotou Kenny Florian e continuou no topo da divisão.

Um dos momentos mais marcantes dessa fase aconteceu no UFC 142, no Rio de Janeiro, em 2012. Diante de Chad Mendes, Aldo venceu por nocaute com uma joelhada na reta final do primeiro round.

Na comemoração, o manauara deixou o octógono e foi em direção às arquibancadas, onde acabou carregado pelos torcedores. A cena se tornou uma das imagens mais conhecidas de sua trajetória e ajudou a consolidar o apelido de “Campeão do Povo”.

No ano seguinte, Aldo voltou a lutar no Rio de Janeiro e enfrentou Chan Sung Jung, o “Zumbi Coreano”. Ao som da torcida, que cantava “Aldo vem aí, e o bicho vai pegar”, o brasileiro venceu por nocaute no quarto round.

Em 2014, o manauara ainda derrotou Chad Mendes novamente, no Maracanãzinho, e manteve o cinturão peso-pena.

A perda do cinturão e a retomada

A sequência de domínio terminou em dezembro de 2015. Na disputa contra Conor McGregor, Aldo sofreu um nocaute aos 13 segundos do primeiro round e perdeu o cinturão.

O brasileiro voltou a conquistar o título interino da categoria em 2016, quando derrotou Frankie Edgar por decisão unânime. Com a saída definitiva de McGregor do peso-pena, Aldo voltou a ser reconhecido como campeão linear.

O segundo reinado, porém, foi interrompido por Max Holloway em 2017. O norte-americano venceu por nocaute e tomou o cinturão. Na revanche, seis meses depois, Holloway voltou a vencer.

Mudança de categoria e últimos anos no UFC

Entre 2018 e 2019, Aldo alternou vitórias e derrotas. O brasileiro venceu Jeremy Stephens e Renato Moicano, mas perdeu para Alexander Volkanovski e Marlon Moraes, já competindo no peso-galo.

Em 2020, disputou o cinturão vago da categoria contra Petr Yan e foi derrotado. Depois, conseguiu três vitórias consecutivas e voltou a aparecer entre os principais nomes da divisão.

Em 2022, após uma derrota para Merab Dvalishvili, Aldo decidiu encerrar a carreira no MMA. A aposentadoria, entretanto, não durou definitivamente.

Em maio de 2024, o brasileiro voltou ao octógono para enfrentar Jonathan Martinez, no Rio de Janeiro. Aldo venceu por decisão unânime e voltou a falar sobre a possibilidade de buscar o cinturão.
Depois, perdeu para Mario Bautista e teve sua última luta de MMA em maio de 2025, diante de Aiemann Zahabi.

Após a derrota, o manauara confirmou o encerramento da carreira.

– Dana, obrigado por tudo. Obrigado a todo mundo do UFC, só tenho que agradecer todo mundo, mas a semana foi difícil para “caraca”. Não no negócio de peso, mas eu estava brigando com a minha mente para tentar ser o campeão novamente. É hora de parar, tenho que aproveitar minha família, meus filhos, não quero mais – disse.

Hall da Fama do UFC

A história de José Aldo no MMA também foi reconhecida fora do octógono. Em janeiro de 2023, foi anunciado que o brasileiro seria incluído no Hall da Fama do UFC.

A cerimônia aconteceu em julho daquele ano. Ao lado do treinador Dedé Pederneiras, Aldo se emocionou durante a homenagem e destacou a importância do técnico em sua carreira.

A entrada no Hall da Fama marcou mais um capítulo da trajetória construída desde os primeiros anos em Manaus até a conquista dos principais títulos do MMA internacional.

Nova fase após a aposentadoria

Mesmo sem competir profissionalmente no MMA, José Aldo continua ligado às artes marciais. O ex-campeão tem uma luta agarrada marcada contra Marlon Vera para outubro.

Além dos combates em outras modalidades, o manauara também passou a atuar como comentarista. No Spaten Fight Night 3, realizado no mês passado, Aldo participou da transmissão do evento pela TV Globo.

Aos 40 anos, o “Campeão do Povo” inicia uma nova etapa da carreira mantendo a ligação com o esporte que marcou sua trajetória.

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Ed Mulholland/Zuffa LLC