O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica, de 5,1%, e mais de 103 milhões de pessoas ocupadas, segundo o IBGE. Apesar dos números positivos, análises mais detalhadas do mercado de trabalho apontam desafios estruturais, especialmente entre os jovens.
Levantamento do FGV IBRE, com base em dados da PNAD Contínua, mostra que metade dos trabalhadores entre 18 e 24 anos está concentrada em apenas 20 ocupações, como atendimento ao público, serviços administrativos e funções operacionais. São atividades com menor exigência técnica, alta rotatividade e salários mais baixos.
A renda média mensal desse grupo é de R$ 1.815, valor cerca de 45% inferior à média nacional, estimada em R$ 3.315. Além disso, a taxa de desemprego entre jovens chegou a 14,9% no primeiro trimestre de 2025, quase o dobro da média geral.
Outro dado que reforça o cenário é a desaceleração na criação de empregos formais. Segundo o Caged, o país fechou 2025 com saldo positivo de 1,27 milhão de vagas, número inferior ao registrado no ano anterior, indicando perda de ritmo na geração de postos com carteira assinada.
Especialistas apontam que esse movimento ocorre em paralelo ao avanço da automação e da inteligência artificial, que tem impactado principalmente funções de entrada no mercado de trabalho — justamente aquelas ocupadas por jovens.
Essas funções, tradicionalmente vistas como porta de entrada e espaço de aprendizado prático, estão entre as mais suscetíveis à substituição tecnológica. Atividades como atendimento básico, suporte administrativo, redação simples e análise de dados inicial já vêm sendo automatizadas em diferentes setores.
Estudos internacionais indicam que trabalhadores mais jovens estão entre os primeiros a sentir os efeitos dessa transformação. Em alguns mercados, houve redução significativa de vagas em funções expostas à automação, ao mesmo tempo em que novas ocupações surgem em ritmo mais lento.
No Brasil, o cenário se soma a uma transição demográfica em curso. A população jovem vem diminuindo, enquanto cresce o número de idosos, o que aumenta a pressão por trajetórias profissionais mais estáveis e produtivas ao longo do tempo.
Dados do IBGE mostram que a proporção de brasileiros com menos de 30 anos caiu nos últimos anos, ao mesmo tempo em que a população com mais de 60 anos segue em expansão. Esse movimento reforça a importância da inserção qualificada dos jovens no mercado de trabalho.
Outro ponto observado é a desigualdade no acesso às oportunidades. Jovens de baixa renda e moradores de áreas periféricas tendem a ingressar em ocupações mais vulneráveis, com menor potencial de crescimento profissional.
Além do acesso ao emprego, especialistas destacam a necessidade de avaliar a qualidade das vagas geradas, considerando fatores como remuneração, estabilidade e possibilidade de progressão na carreira.
O cenário indica que, embora o país registre níveis elevados de ocupação, persistem desafios relacionados à inserção sustentável dos jovens no mercado, especialmente diante das transformações tecnológicas e econômicas em curso.
Com Informações do IBGE, FGV e análises de mercado
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






