Repercussão de casos de abuso sexual no jiu-jítsu levam vítimas a procurar autoridades e relatar novas denúncias

Relatos envolvem crianças, adolescentes e jovens atletas

A repercussão de investigações envolvendo professores de jiu-jítsu suspeitos de crimes sexuais tem contribuído para que vítimas e ex-alunos procurem as autoridades e relatem novas situações. Em diferentes estados e países, pessoas que afirmam ter passado por episódios semelhantes relatam que a visibilidade dos casos anteriores foi determinante para que buscassem apoio e formalizassem denúncias.

No Amazonas, por exemplo, três professores da modalidade foram presos no contexto de investigações relacionadas a crimes sexuais contra alunos nos últimos três anos. Os casos envolvem crianças, adolescentes e jovens atletas.

Novos relatos após a repercussão

Com a ampla divulgação dos casos, novas denúncias passaram a ser registradas em diferentes localidades. Vítimas relatam que a exposição pública ajudou a encorajar a busca por apoio e a formalização de ocorrências junto às autoridades.

Em novembro de 2024, o professor Alcenor Alves Soeiro, de 56 anos, foi preso em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Investigado por suspeita de estupro e exploração sexual de alunos entre 2011 e 2018.

Após a prisão, o caso ganhou manifestações públicas de atletas. Recentemente, o campeão mundial Thalison Soares afirmou ter sido vítima do treinador na infância e também se posicionou em apoio a outras pessoas que fizeram denúncias.

“Quando eu era criança fui abusado pelo Alcenor (…) eu conheci também a maioria das vítimas do Melqui (…) Pessoas como você que questiona a vítima, são as mesmas que fazem elas ficarem caladas e não denunciarem, deixem a Justiça cumprir seu papel”

Caso Melqui Galvão

O caso mais recente envolve o treinador e investigador da Polícia Civil Melqui Galvão, preso temporariamente em abril de 2026 por decisão da Justiça de São Paulo. Ele é investigado por ameaça, importunação sexual e estupro de vulnerável.

Segundo a investigação, o caso teve início após a denúncia de uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, que relatou atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada fora do país. A jovem, atualmente residente nos Estados Unidos, foi ouvida pelas autoridades junto com familiares.

Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas. Em um dos relatos, a vítima afirmou ter 12 anos na época dos fatos investigados.

Após a repercussão do caso, outras pessoas passaram a relatar experiências semelhantes em redes sociais e à imprensa. Em um dos depoimentos divulgados, uma atleta afirmou ter enfrentado situações de pressão psicológica.

“Como todo abusador, ele tentou me calar. Tentou calar a minha família também. Ameaçou meus sonhos, minha carreira, disse que eu não teria mais oportunidades no esporte”, escreveu.

Ela também relatou impactos emocionais.

“Não foi só meu corpo que foi violado, mas também a minha saúde mental”, declarou.

Após a repercussão nacional, entidades ligadas ao jiu-jítsu anunciaram o banimento do treinador de atividades oficiais, impedindo sua participação em competições organizadas por federações.

Outros casos investigados

Em junho de 2025, um professor de jiu-jítsu foi preso em Humaitá, no interior do Amazonas, suspeito de abusar sexualmente de ao menos cinco alunos, todos meninos entre 7 e 11 anos. Segundo a investigação, os fatos teriam ocorrido dentro da academia, que funcionava na residência do suspeito.

Orientações e debate

Os casos reforçam a importância do debate sobre segurança de crianças e adolescentes em ambientes esportivos. Especialistas ressaltam que qualquer suspeita deve ser comunicada às autoridades competentes e que o acolhimento das vítimas é fundamental para garantir proteção e evitar a subnotificação de ocorrências.

Crimes sexuais contra menores são previstos no Código Penal Brasileiro e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Denúncias podem ser feitas à Polícia Civil, ao Conselho Tutelar ou pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos.

As investigações seguem em andamento, com novas oitivas sendo realizadas pelas autoridades para esclarecer os fatos e identificar possíveis vítimas. Até o momento, as defesas dos investigados não se manifestaram publicamente sobre os casos.

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

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