Suíça revoga proibição histórica e volta a permitir corridas em circuitos após 71 anos

Medida abre possibilidade para eventos automobilísticos a partir de julho

Após mais de sete décadas, a Suíça decidiu encerrar a proibição que impedia a realização de corridas de automobilismo em circuitos no país. A medida foi anunciada na quarta-feira (6) pelo Conselho Federal suíço e passa a valer a partir de 1º de julho deste ano.

A decisão revoga uma lei em vigor desde 1955, criada após uma das maiores tragédias da história do automobilismo, ocorrida durante as 24 Horas de Le Mans, na França.

Tragédia em Le Mans motivou o banimento

A origem da proibição está no acidente registrado na edição de 1955 da tradicional prova de resistência. Na ocasião, uma sequência de colisões começou após uma freada brusca de Mike Hawthorn, envolvendo também Lance Macklin e Pierre Levegh.

O carro de Levegh colidiu violentamente e o piloto morreu no local. Os destroços do veículo atingiram a área do público, provocando a morte de outras 83 pessoas. O episódio levou diversos países a repensarem a segurança das competições automobilísticas, e a Suíça optou por proibir totalmente as corridas em circuitos.

Enquanto outras nações reverteram medidas semelhantes ao longo dos anos seguintes, a Suíça manteve o banimento por mais de 70 anos.

Mudança gradual e exceções recentes

Apesar da proibição, o país voltou a ter contato pontual com o automobilismo nas últimas décadas. A Fórmula E, categoria de carros elétricos, realizou etapas em cidades suíças como Berna e Zurique em 2018 e 2019, por meio de exceções específicas.

A discussão sobre a revogação da lei ganhou força a partir de 2023, até a decisão oficial anunciada nesta semana.

Antes do banimento, a Suíça chegou a sediar cinco Grandes Prêmios de Fórmula 1 entre 1950 e 1954, no circuito de Bremgarten.

Presença suíça no automobilismo permaneceu ativa

Mesmo sem corridas em seu território, o país manteve ligação com o esporte ao longo das décadas. Pilotos como Sebastien Buemi, Jo Siffert e Clay Regazzoni marcaram presença na Fórmula 1, sendo este último vice-campeão mundial em 1974.

A equipe Sauber também teve papel importante na representação suíça na categoria por cerca de 40 anos. O time foi posteriormente adquirido pela Audi e encerrou sua trajetória nesta temporada. Atualmente, a estrutura alemã segue baseada na cidade suíça de Hinwil e conta com o brasileiro Gabriel Bortoleto entre seus pilotos.

Retorno às corridas deve ser gradual

Apesar da mudança na legislação, não há previsão de retorno imediato da Suíça à Fórmula 1. Segundo Simone Gianini, presidente do Automóvel Clube da Suíça, o processo deve ocorrer de forma progressiva.

“– Não deveríamos esperar a realização de corridas da Fórmula 1 aqui no futuro. Não porque veículos de combustão interna seriam excluídos desse evento, mas simplesmente porque nosso país não tem mais a infraestrutura necessária para sediar esses eventos, depois de tantos anos sem circuitos permanentes. Por outro lado, o futuro pode ver surgirem corridas mais modestas, com carros de turismo, GT ou em categorias elétricas — disse.”

Estados terão decisão final

A nova legislação transfere aos cantões — equivalentes aos estados suíços — a responsabilidade de autorizar ou não eventos automobilísticos em seus territórios.

A mudança, no entanto, teve ampla aprovação: 24 dos 26 cantões votaram a favor da revogação da antiga proibição.

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da jovem pan news Manaus

Foto: Getty Images