Um levantamento divulgado pela ONU Mulheres aponta que a violência online tem afetado diretamente a atuação de mulheres jornalistas e outras comunicadoras, com reflexos no comportamento profissional e na saúde mental.
De acordo com o estudo, 41% das mulheres entrevistadas afirmaram evitar se expressar nas redes sociais para reduzir a exposição a ataques. Entre profissionais da mídia, esse índice chegou a 45% em 2025, representando um aumento de 50% em comparação com 2020. Já no ambiente de trabalho, quase 22% relataram restringir sua atuação pelo mesmo motivo.
O relatório também destaca impactos na saúde. Entre jornalistas e trabalhadoras da comunicação, 24,7% receberam diagnóstico de ansiedade ou depressão associados à violência digital sofrida. Além disso, quase 13% relataram transtorno de estresse pós-traumático.
Outro ponto observado é o crescimento de denúncias e ações judiciais. Em 2025, 22% das profissionais disseram ter procurado a polícia após episódios de violência online, o dobro do registrado cinco anos antes. Já o percentual de mulheres que buscaram medidas legais subiu de 8% para quase 14%.
O documento também chama atenção para a variedade de formas de abuso. Cerca de 12% das entrevistadas relataram ter sido vítimas de compartilhamento não autorizado de imagens pessoais, incluindo conteúdo íntimo. Outros 6% disseram ter sido alvo de deepfakes, enquanto quase um terço afirmou ter recebido mensagens com conteúdo sexual não solicitado.
“Esse tipo de abuso é frequentemente deliberado e coordenado, desenhado para silenciar mulheres na vida pública ao mesmo tempo em que mina sua credibilidade profissional e sua reputação pessoal. Outras tendências relevantes apontam para um aumento de ações legais e de denúncias às forças de segurança entre mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia”, dizem organizadores do estudo.
A pesquisa, intitulada Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA, foi elaborada em parceria com a organização TheNerve e outros colaboradores. O material também aborda o papel da inteligência artificial na ampliação desses ataques.
Segundo a chefe da área de enfrentamento à violência da ONU Mulheres, Kalliopi Mingerou, o uso de novas tecnologias tem facilitado esse tipo de prática. “Isso está alimentando a erosão de direitos duramente conquistados em um contexto marcado pelo retrocesso democrático e pela misoginia em rede. Nossa responsabilidade é garantir que sistemas, leis e plataformas respondam com a urgência que essa crise exige”, afirmou.
O relatório também aponta lacunas na legislação. Dados do Banco Mundial indicam que menos de 40% dos países possuem leis específicas para proteger mulheres contra assédio ou perseguição virtual. Globalmente, cerca de 1,8 bilhão de mulheres e meninas ainda não contam com proteção legal, o equivalente a 44% desse público.
Com informações da Agência Brasil*
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
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